Política

General quer que Bolsonaro enfrente 'chantagem' do Congresso, mas presidente prega cautela

Ministro do GSI chegou a cogitar que a população deveria ser convocada para manifestar indignação nas ruas, mas a ideia foi refutada por Bolsonaro

[General quer que Bolsonaro enfrente 'chantagem' do Congresso, mas presidente prega cautela]
Foto : Marcos Corrêa/PR

Por Matheus Simoni no dia 19 de Fevereiro de 2020 ⋅ 10:51

O ministro do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno, cobrou que o presidente Jair Bolsonaro não deve ceder "às chantagens" do Congresso Nacional a respeito do controle da execução de emendas parlamentares ao Orçamento. Em reunião com o chefe do Executivo Nacional ontem (18), que contou com a presença de outros ministros, o militar criticou o acordo costurado por seu colega, o general-ministro da Secretaria de Governo, Eduardo Ramos.

"Nós não podemos aceitar esses caras chantagearem a gente o tempo todo. Foda-se", declarou Heleno, em áudio captado em transmissão ao vivo da Presidência pela internet. O general ainda orientou o presidente a "convocar o povo às ruas", mas Bolsonaro pediu cautela e aconselhou a articulação política a costurar novo acordo.

A demonstração da irritação de Augusto Heleno com a pressão do Congresso começou cedo, quando ele afirmou durante a manhã que o governo estava “negociando uma rendição” ao aceitar que o Congresso derrubasse parte dos vetos do presidente. Ele ainda pediu que os ministros Paulo Guedes, da Economia, e Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria de Governo, refizessem a negociação com o Congresso para tentar manter todos os vetos.

De acordo com o jornal O Globo, a costura do novo acordo começou a ser trabalhada no início da noite de terça-feira na residência oficial de Davi Alcolumbre. Na presença de Maia, a equipe econômica e a articulação política assumiu o compromisso de convencer Bolsonaro a enviar um projeto de lei alterando o Orçamento para tornar R$ 15 bilhões que estavam carimbados como “emenda do relator” em verbas disponíveis aos ministérios. O acordo anterior previa R$ 11 bilhões.
 

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