Política

Bolsonaro não disse que demitiria Moro mas Augusto Heleno, afirma Planalto

Segundo ministros, presidente teria pedido para trocar o chefe de sua segurança pessoal, não o comando da Polícia Federal

[Bolsonaro não disse que demitiria Moro mas Augusto Heleno, afirma Planalto]
Foto : Marcello Casal Jr. / Agência Brasil

Por Juliana Rodrigues no dia 13 de Maio de 2020 ⋅ 12:02

O Palácio do Planalto centra esforços na defesa de que o presidente Jair Bolsonaro foi mal interpretado na reunião ministerial onde, segundo o ex-ministro Sergio Moro, teria manifestado interesse em intervir na Polícia Federal, o que agora é objeto de investigação. A informação é da CNN.

Segundo ministros, Bolsonaro pediu para trocar o chefe de sua segurança pessoal e, em caso contrário, ele trocaria o ministro responsável pela área. Assim, o titular substituído seria Augusto Heleno, do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e não o ministro da Justiça, Sérgio Moro, já que a segurança do presidente não diz respeito à Polícia Federal.

De acordo com interlocutores do Planalto, esta é a versão que consta no depoimento do ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos. A divulgação de trechos dos depoimentos incomodou ministros, que passaram a defender que esse trecho da reunião também seja divulgado. A ideia deles é que Bolsonaro avalie publicar isso antes mesmo que a Justiça tome uma decisão.

No depoimento, Ramos apontou para os investigadores que haveria diferença entre as palavras "intervir" e "interferir". Bolsonaro, de acordo com o ministro, queria "interferir" em todos os ministérios e que isso não significaria "intervir", ou seja, pedir a troca do comando da Polícia Federal. Já a defesa de Moro interpretou que a gravação confirma integralmente as declarações do ex-ministro e mostram interferência.

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