Política

Biaggio cita pesquisa para 'Economia de Salvação' e lembra entrevista de Bolsonaro em Salvador

Em 1993, então deputado federal esteve na capital baiana para evento com militares e fez coro pela volta da ditadura

[Biaggio cita pesquisa para 'Economia de Salvação' e lembra entrevista de Bolsonaro em Salvador]
Foto : Metropress

Por Matheus Simoni no dia 26 de Maio de 2020 ⋅ 13:56

O jornalista e escritor Biaggio Talento comentou o processo para escrever o livro 'Economia da Salvação', que trata da domesticação da morte em Salvador nos séculos passados. A cobra conta com testamentos de traficantes de escravos e agiotas que viveram na Bahia e como eles tentaram salvar as almas libertando escravos, doando bens e dinheiro a instituições religiosas e pedindo em troca a celebração de milhares de missas para que pudessem escapar do inferno, apesar da vida repleta de pecados.

Em entrevista a Mário Kertész hoje (26), no Jornal da Metrópole no Ar da Rádio Metrópole (26), Biaggio, que também é comentarista da rádio, falou que o pontapé inicial do projeto começou por conta da esposa, Elenita. "Chamou a atenção dela a quantidade de igrejas históricas na região central de Salvador. Eu não sabia exatamente o porquê. Ela começou a fazer a pesquisa e me arrastou para fazer também e escrever um livro sobre as igrejas. A gente descobriu que a quantidade de igrejas suntuosas que existem em Salvador nasceu em função dessa economia da salvação. Os membros das irmandades gastavam muito dinheiro para embelezar igrejas importando pedras portuguesas e contratando grandes artistas para pintar e dourar, além de esculturas, em troca de um pedido ao santo", declarou o jornalista.

"A partir daí, chegamos aos testamentos. Lá que tem aquela coisa de deixar dinheiro nas relíquias no final da vida para as obras religiosas para que aplicasse tanto nas obras das igrejas e nos ritos funerários católicos necessários para salvar as almas", acrescenta. 

Ele ainda comentou como era lidar com a morte naquela época e que a concepção da desencarnação teve outros sentidos no passado. "Depois dessa grande fase do medo do diabo e do juízo final, além de outras superstições que amedrontavam muito os católicos, isso foi mudando ao longo do tempo e a concepção da morte foi mais voltada à congregação familiar. Não se preocupava muito mais com o que iria acontecer com sua alma, mas você queria se encontrar com seus familiares no plano espiritual depois de morrer. Vários epitáfios do Campo Santo têm isso e podem ser verificados", aponta. 

Durante o programa, Biaggio ainda citou uma entrevista feita em 1993, quando o presidente Jair Bolsonaro esteve em Salvador na condição de deputado federal. O encontro, de acordo com o jornalista, serviu para mostrar que Bolsonaro não mudou tanto os ideais que carrega atualmente.

"Em 93, Bolsonaro era deputado federal e tinha vindo a Salvador para participar de um evento com militares da ativa e da reserva insatisfeitos com os salários. Ele era o líder dessa turma e veio discutir uma forma de pressionar o governo FHC para aumentar os salários. O evento ocorreu no extinto Cine Nazaré. Uma das coisas que ele falou, veja como ele está bem atual hoje, foi: 'Se houver um golpe de estado, virá por anseio popular. Logicamente a questão da intervenção militar vem sendo discutida nos quartéis. O militar é povo e o povo tem pedido nas ruas a volta do governo militar'. Parece que foi ontem que ele disse, mas foi em 93", ironizou.

"'Sou capaz de fazer qualquer coisa para salvar o Brasil, até dar um tiro na cara desses ministros corruptos'. Esse é o Bolsonaro de 93, acho que não evoluiu muito, embora agora ele tenha uma série de pesos e contrapesos para segurar os arroubos dele. Está esticando muito a corda para ver onde chega isso", acrescentou Biaggio. 

Confira a entrevista completa:

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