Política

'Sair na rua é um ato heroico', diz cientista político Boris Fausto

Historiador critica posição contrária de Lula a aderir às manifestações suprapartidárias: 'Se comporta como uma grande dama que não se mistura com os outros'

['Sair na rua é um ato heroico', diz cientista político Boris Fausto]
Foto : Walter Craveiro/Flip

Por Matheus Simoni no dia 02 de Junho de 2020 ⋅ 15:09

O historiador e cientista político Boris Fausto comentou o atual momento político do país em meio às manifestações e protestos contra o autoritarismo e lideranças fascistas. Em entrevista à Rádio Metrópole hoje (2), ele comentou que a imagem do país no exterior está arranhada por conta das práticas do governo de Jair Bolsonaro (Sem partido). "O Brasil está muito mal visto no exterior. Eu diria que um fato que pode ser muito relevante é a derrota, mais do que a vitória dos Democratas, do Trump nas eleições. Abre um outro quadro de relacionamento em que nós sairíamos desse delírio que estamos metidos no mundo externo", afirmou.

"Tem gente que diz que dá vergonha de ser brasileiro. Não tem vergonha nenhuma, você é descendente de estrangeiros. Não pratico essas coisas, tem muita gente boa no Brasil. Quem faz essas coisas é outra gente, tenho vergonha e raiva dessa gente, não há como ter raiva dessa gente", acrescentou. 

Ainda segundo Fausto, há um risco de agravamento da situação por conta das recentes ameaças de Bolsonaro e aliados ao Legislativo e ao Judiciário. "Temos condições muito melhores, mas eu não excluiria um agravamento da situação. A gente não sabe como seria uma reação de uma população desesperada daqui a alguns meses. Hoje sair na rua e se juntar com muita gente é um ato heroico por causa da pandemia e por causa da polícia, que começou a bater em gente indiscriminadamente. Um motivo de otimismo é a união das torcidas de futebol dos grandes clubes de futebol. Isso é de uma importância inacreditável", comentou.

No entanto, o historiador questionou o posicionamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que rejeitou integrar movimentações suprapartidárias. "A conduta do Lula nesse momento é lamentável. Ele se comporta como uma grande dama que não se mistura com os outros, que não é a Maria  que anda no meio dos outros. Meu Deus, se a gente quer agora criar uma frente política, além de social, vamos escolher esse tipo de reação quase que aristocrática de um homem de origem operária, é muito triste isso. Espero que os militantes do PT, simpatizantes e gente bem intencionada prestem bem atenção nisso e medite sobre isso", declarou.

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