Política

Moro não vê erro em interceptação de conversa entre Dilma e Lula: 'Cumpri meu dever'

Ex-juiz da Lava Jato diz que não quis jogar "embaixo do tapete" e alfineta ex-ministro Abraham Weintraub

[Moro não vê erro em interceptação de conversa entre Dilma e Lula: 'Cumpri meu dever']
Foto : Marcelo Camargo/Agência Brasil

Por Matheus Simoni no dia 13 de Julho de 2020 ⋅ 11:14

O ex-juiz federal Sergio Moro, antes titular da 13ª Vara Criminal de Curitiba, negou que tenha errado ao interceptar a conversa da então presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tinha como objetivo anunciar a intenção de nomear o petista ao cargo de ministro da Casa Civil em 2016. Na época, a investigação da Lava Jato apontou que poderia ser uma manobra para blindar Lula e tirar do Ministério Público Federal (MPF)  a possibilidade de atingir o ex-presidente. Na avaliação de Moro, a Lava Jato poderia estar sujeita às críticas, mas que não houve erro.

"Não acho que cometemos pecados tão grandes. Nesse caso do áudio, quando proferi a decisão, externei as decisões no meu entendimento. Ali havia uma situação de interceptação sendo encerrada. O telefone dela não foi interceptado e sim de um segurança do ex-presidente que usava esse telefone para comunicação de outras pessoas. Encerrada a interceptação, a gente levantava o sigilo e utilizava isso como provas. Ali havia, na avaliação dos procuradores, uma tentativa de obstruir a Justiça e nomear o ex-presidente como ministro para tirar o processo e investigações da primeira instância. Isso depois foi reconhecido pelo STF", disse o ex-ministro, em entrevista a Mário Kertész hoje (13), durante o Jornal da Bahia no Ar da Rádio Metrópole.

"Entendi na época que, por uma questão de publicidade e transparência, que aquilo deveria aparecer", acrescentou.

Moro disse que não quis jogar a investigação para debaixo do tapete, da mesma forma como não quis ao sair do governo de Jair Bolsonaro diante da interferência do presidente na Polícia Federal. Ele ainda alfinetou o ex-ministro da Educação, Abraham Weintraub, que viajou aoss Estados Unidos após investigação do Supremo Tribunal Federal (STF) por ofensas à corte. O ex-chefe do MEC chegou a ser indicado a um cargo no Banco Mundial por Bolsonaro como uma forma de consolação pela saída repentina do governo.

Moro aproveitou comentou a possibilidade aos risos. "Eu sempre falei que não sou guardião de segredos sombrios dos nosso governantes. Não sou eu que vou jogar isso para debaixo do tapete, da mesma forma quando saí do governo agora. Sairia muito mais confortável, quem sabe nomeado aí para o Banco Mundial, simplesmente deixando meu cargo como ministro da Justiça. Eu achei que tinha que falar a verdade e ela foi gravada. Cumpri meu dever. Tem consequências. Aja conforme seus princípios, arque com as consequências. Faz parte, estou tranquilo em relação a esses episódios. Não imagino que errei, mas se errei foi com boas intenções", acrescentou.

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