Política

Antropólogo diz que dossiê contra antifascistas escancara 'iniciativa golpista' de Bolsonaro

Segundo o antropólogo, a iniciativa do governo de perseguir integrantes dos movimentos antifascismo também expõe como o próprio governo se enxerga

[Antropólogo diz que dossiê contra antifascistas escancara 'iniciativa golpista' de Bolsonaro]
Foto : Metropress

Por Matheus Simoni no dia 07 de Agosto de 2020 ⋅ 13:00

O antropólogo Luiz Eduardo Soares é um dos alvos do dossiê de monitoramento sigiloso produzido pelo Ministério da Justiça e da Segurança Pública de um grupo de 579 servidores federais e estaduais de segurança, identificados como "movimento antifascista". Em entrevista a Mário Kertész hoje (7), durante o Jornal da Metrópole no Ar da Rádio Metrópole, ele comentou como o governo do presidente Jair Bolsonaro (Sem partido) se aproxima de uma "iniciativa golpista".

Luiz Eduardo Soares também falou da reportagem da revista Piauí que relatou uma intenção de Bolsonaro enviar tropas ao Supremo Tribunal Federal (STF). "Agora, essa revelação chocante, por mais que nós tivéssemos imaginado a hipótese de que eles contemplassem eventualmente algum tipo de esboço de iniciativa golpista. Nós não imaginávamos que estávamos tão perto do abismo e do colapso, da catástrofe mesmo", disse o antropólogo.

"Por um triz, nessa reunião no Palácio, nesse dia 22 de maio, segundo a reportagem da Piauí e não desmentida, uma revista muito séria, não só o presidente teria manifestado a intenção de imediatamente intervir com tropas militares no Supremo como dois de seus principais colaboradores generais teriam aquecido e concordado. O terceiro, que nos parecia os mais açodados e agressivos acabou atuando como moderador, convenceu os demais de que talvez não fosse o momento", narrou o cientista político.

"Estamos vivendo à beira do abismo. Não só é chocante a cena descrita como o silêncio subsequente à publicação da reportagem. É um escândalo absoluto e de escala incomparável e histórica"

Questionado por MK, sobre os rumos do país diante da atuação de Bolsonaro em meio à crise política e sanitária, Luiz Eduardo Soares diz que não há outra solução que não uma construção de uma frente democrática. "Nós temos diante de nós uma crise econômica devastadora com implicações sociais também muito intensas. Nesse contexto, o país flerta com a ditadura. Saída eu só vejo uma. A construção de uma frente democrática, que em tempos pretéritos acabou impondo limites à ditadura e viabilizando a transição para a democracia, não a que sonhamos, mas de qualquer formas instituições que funcionavam ou estavam orientadas à carta de 88 a funcionarem de acordo com os direitos elementares", declarou.

Confissão

Segundo o antropólogo, a iniciativa do governo de perseguir integrantes dos movimentos antifascismo também expõe como o próprio governo se enxerga. "Agora o inimigo é o movimento dos policiais antifascismo. Como se ser antifascista fosse crime, se nossa constituição não fosse um manifesto antifascista ou a democracia não fosse antifascista. A situação é absolutamente kafkiana, surrealista e paradoxal, porque quem acusa o antifascista de ser um inimigo do regime e do governo admite a própria culpa e confessando que se coloca na posição que é alvo do repúdio e da crítica", avaliou Luiz Eduardo Soares.

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