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Homenageado pela Mangueira, bloco Ara Ketu só sairá um dia no carnaval de Salvador por falta de patrocínio

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Homenageado pela Mangueira, bloco Ara Ketu só sairá um dia no carnaval de Salvador por falta de patrocínio

Fundadora reclama de falta de união e de acessibilidade de artistas baianos

Homenageado pela Mangueira, bloco Ara Ketu só sairá um dia no carnaval de Salvador por falta de patrocínio

Foto: Divulgação

Por: Geovana Oliveira no dia 10 de janeiro de 2023 às 19:43

A fundadora do Ara Ketu, Vera Lacerda, conhecida como dona Vera, anunciou nesta terça-feira (10) que o bloco só sairá na quinta-feira de Carnaval em Salvador devido à falta de patrocínio. O Ara Ketu será homenageado pelo enredo da escola de samba Mangueira, no Rio de Janeiro, neste ano. Em 15 dias, as fantasias para a ala do bloco no desfile esgotaram. 

Na Bahia, entretanto, os patrocinadores não apoiam o bloco afro. "Só vai sair aqui na quinta-feira do Carnaval e assim mesmo porque Isaac [Edington, presidente da Saltur] falou que dava o apoio pra a gente sair no carnaval aqui, porque é tudo muito difícil. Carnaval aqui na Bahia não é fácil não, conseguir patrocínio para colocar o bloco na rua é difícil", afirma Vera Lacerda, em entrevista ao Jornal da Cidade, na Rádio Metropole. 

De acordo com dona Vera, os blocos conseguem o apoio da prefeitura, mas das empresas privadas não. A gestora ainda critica: "Se você for ver o valor que eles pagam de cachê para esses sertanejos e o que querem pagar para as bandas da Bahia, é uma vergonha". 

"O pessoal do Rio de Janeiro estava falando na reunião [da Mangueira] que está ficando muito chateado com o carnaval da Bahia. Falam: 'A gente vai sair daqui para ouvir sertanejo? Sofrência? A gente ia para ver a música da Bahia, agora quase que a gente não vê'", diz a fundadora do Ara Ketu. 

Com apenas um dia em Salvador, o Ara Ketu vai fazer show nas cidades do Rio de Janeiro, São Paulo, Fortaleza e Minas Gerais. "Não se dá valor à música da Bahia. Quem fez o carnaval da Bahia não foi o sertanejo, não foi sofrência, fomos nós", desabafa dona Vera, que critica também a falta de união dos músicos baianos. 

"A gente fez agora uma música com Gabi Martins. Queríamos gravar com alguém daqui, mas daqui o povo diz que não tem data. Queríamos tanto valorizar as pessoas daqui, por exemplo, Léo Santana, que saiu do Subúrbio, Tony Sales, que saiu do Subúrbio também... mas está difícil", diz a filha, Alessandra Lacerda. 

Segundo a dupla, o axé não é unido como o sertanejo. "Eu espero que pensem um pouquinho e vejam como é importante a gente se unir e pensar em fazer com que a música da Bahia, que é muito rica, estoure pelo Brasil inteiro", conclui dona Vera. 

Confira entrevista completa: