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Visão do Exército como poder moderador alimenta cultura golpista no país, avalia Pedro Doria
Jornalista afirmou, em entrevista à Rádio Metropole, definiu a estrutura do governo brasileiro como “República das Bananas”

Foto: Reprodução/Rádio Metropole
O jornalista e escritor Pedro Doria explicou, durante entrevista à Rádio Metropole nesta quarta-feira (12), a relação do Brasil com os golpes de Estado. Para ele, o Exército acredita ser um poder moderador no país, e isto faz com que os integrantes não aceitem as decisões democráticas.
O poder moderador era o quarto poder previsto pela Constituição Brasileira, antes da Proclamação da República - ou o primeiro golpe de Estado, como definido por Pedro Doria - exercido pelo imperador. Esse poder dava o direito do “voto de minerva”, pois, em caso de desentendimentos, seria decidido por Dom Pedro II.
“Quando proclamada a República, o Exército defendia a tese de que na ausência de um imperador, o Exército seria uma espécie de poder moderador. Eles não ganharam a briga, nenhuma Constituição brasileira os colocou como poder moderador, mas eles nunca tiraram da cabeça deles que tinham um poder de desempate”, analisou Pedro Doria.
Exemplificando a tese, o escritor citou os diversos golpes de Estado e tentativas que o Brasil sofreu do Exército, desde a formação da primeira turma de tenentes em 1918. “A primeira turma tinha nomes super importantes como Antonio de Siqueira Campos, Eduardo Gomes, Luís Carlos Prestes. Esses caras que são a primeira geração que tentaram derrubar presidentes da República em 1922, 1924, 1930, no golpe de Estado Novo, derrubaram Getúlio [Vargas] em 1945, tentaram derrubar em 1954, tentaram derrubar JK, João Goulart. Então, a gente está falando de um grupo de oficiais que implantou dentro do Exército brasileiro a cultura golpista. E a gente descobriu durante o governo Bolsonaro que essa cultura não está de todo morta”, ponderou.
Doria ressaltou ainda que a cultura golpista precisa ser derrubada e definiu a estrutura do governo brasileiro como “República das Bananas”. “Um país em que o Exército fica dando golpe de estado de vez em quando é exatamente a definição da República das Bananas. A gente não pode ser mais isso. Isso tem que acabar e a única maneira de acabar é que os generais que estiverem envolvidos no planejamento do golpe sejam investigados, julgados e, caso descobertas a culpa, condenados. Pela primeira vez, vamos ter que colocar militares na cadeia”, afirmou.
Assista a entrevista na íntegra:
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