Sexta-feira, 06 de março de 2026

Faça parte do canal da Metropole no WhatsApp

Home

/

Notícias

/

Rádio Metropole

/

"A derrubada da Igreja da Sé ajudou a criar uma consciência patrimonial", avalia arquiteto

Rádio Metropole

"A derrubada da Igreja da Sé ajudou a criar uma consciência patrimonial", avalia arquiteto

Sob o pretexto de abrir espaço para o "progresso", a primeira diocese do Brasil foi demolida em 1933

"A derrubada da Igreja da Sé ajudou a criar uma consciência patrimonial", avalia arquiteto

Foto: Reprodução/Youtube

Por: Metro1 no dia 25 de agosto de 2023 às 09:01

Atualizado: no dia 25 de agosto de 2023 às 09:08

Uma escandalosa venda completa 90 anos neste mês de agosto. A venda e a consequente demolição daquela que era a primeira diocese do Brasil, a Igreja da Sé da Bahia. Ela foi demolida em 1933 para dar espaço à construção de um terminal de bondes. Em entrevista à Rádio Metropole nesta sexta-feira (25), o professor e arquiteto Nivaldo Andrade relembrou o caso e avaliou que a única consequência positiva dele foi a criação de uma consciência sobre a preservação patrimonial. 

“Se podemos tirar algo positivo da demolição da Sé é que ela ajudou a criar uma consciência patrimonial e ajudou o estado brasileiro a criar, entre 1936 e 1937, o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), que até hoje está ativo”, afirmou.

Segundo o professor, a derrubada da Igreja da Sé é uma das tantas que aconteceram na cidade, entre as décadas de 1920 e 1940, para dar espaço a vias mais largas. Como exemplo, ele citou prédios históricos da Avenida Sete de Setembro, o Teatro São João e as igrejas Da Ajuda e de São Pedro da Piedade, que foram demolidas e depois construídas novas no lugar. 

“Essas transformações foram muito comuns [...] A Sé é a mais grave delas, demorou quase 20 anos para acontecer de quando ela começou a ser pensada. E foi por um motivo absolutamente banal, no caso não era para abrir vias especificamente, mas era para construir um terminal de bondes e a gente sabe que os bondes duraram só mais 20 anos a partir da demolição da sé”, avaliou.

Segundo o arquiteto, era a equivocada ideia de progresso que norteava essas decisões, que foram mais intensas na primeira gestão do governador J. J. Seabra, entre 1912 a 1916.

“O processo de transformação urbana ele sempre passou, até esse período da década de 1930, pela demolição da cidade antiga para a construção da nova ou pela sobreposição das construções novas sobre as antigas. O que acontece é que nesse período  isso acontece de forma muito acelerada, em função do crescimento populacional, da chegada do automóvel em 1930, que exigia vias mais largas, e de questões higienistas”, explicou.

Confira a entrevista na íntegra: