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“Tem que ser sempre feito de uma forma respeitosa”, diz psiquiatra sobre noticiar casos de suicídio
Tema amplamente discutido na área a partir do Efeito Werther, foi abordado na Rádio Metropole nesta sexta-feira

Foto: Fernanda Vilas/Metropress
Autora do livro A Morte Pode Esperar? (2015), a psicanalista, psiquiatra e coordenadora do Núcleo de Prevenção ao Suicídio, Soraya Carvalho explicou, em entrevista à Rádio Metropole, que as redações jornalísticas podem noticiar casos de suicídio, mas é preciso haver cautela, respeito e comprometimento ao passar a descrição do fato para o público.
O tema é amplamente discutido na área, a partir do Efeito Werther, um dos fenômenos do efeito contágio. Os Sofrimentos do Jovem Werther (1774), foi um livro escrito por Johann Wolfgang Goethe, no qual um homem se apaixona por uma mulher, que irá casar com outra pessoa, e comete suicídio. A identificação com a história levou ao suicídio de diversas pessoas na Europa.
Com isso, o assunto foi proibido nas redações jornalísticas durante um longo período de tempo, e é motivo de tabus ainda hoje, pelos que não sabem qual conduta abordar quando casos surgem.
“Antigamente jornalistas noticiavam o suicidio como espetáculo, então existe uma espetacularização. Quando era uma pessoa famosa, era uma coisa incrível e acontecia o efeito contágio. A palavra suicídio foi extinta dentro das redações, passou a ser um pecado [...] Temos algumas regras criadas pela OMS. As referentes ao jornalismo dizem sobre a importância que tem o jornalista, porque forma opinião, e que tem um alcance muito grande. Em alguns países, o jornalista faz parte do grupo de prevenção [ao suicídio] e aprende como deve ser noticiado.
Baseando-se nas orientações da OMS, a especialista dá dicas aos profissionais da área e pontua que é preciso reconhecer a importância do exercício da profissão e quantas pessoas são atingidas a partir disso, principalmente os familiares dos suicidas.
“Não se pode dizer como foi feito, o agente que foi utilizado, não pode minimizar nem romantizar, nem fazer da pessoa um herói, nem um fracassado, porque quem se mata é uma pessoa que está em sofrimento [...] Não pode tentar dizer qual foi a razão, tentar explicar, você não pode tentar dar uma explicação. Muitas vezes a família não sabe e vai saber através do repórter, vai depender de como ele vai veicular, tem que ser sempre de uma forma respeitosa, dizer a dor que é, mas dizer de uma forma muito clara e dizer onde buscar ajuda”, conta.
Assista a entrevista na íntegra:
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