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"A sociedade vê um órgão dominado pela política", diz Ceuci Nunes sobre eleição do CFM
Médica infectologista e presidente da Bahiafarma, Ceuci Nunes foi entrevistada no Jornal da Cidade nesta segunda-feira (12)

Foto: Metropress/Leonardo Lima
"O Conselho Federal de Medicina (CFM), ao invés de ser esse antro de negacionistas, podia usar sua potente máquina, paga com o dinheiro dos médicos, para combater a fake news na saúde, para fazer campanhas para que os médicos voltem a examinar direito o paciente e, inclusive, para fazer incursões junto às faculdades com o objetivo levar melhorias aos cursos de Medicina". Essa foi a crítica da médica infectologista e presidente da Bahiafarma, Ceuci Nunes.
Em entrevista ao Jornal da Cidade, da Rádio Metropole, nesta segunda-feira (12), a médica comentou as eleições para o CFM, que chegaram ao fim na última terça-feira (7) e levaram à nova gestão uma série de nomes ligados à defesa de medicamentos sem eficácia comprovada, a constestações às vacinas e bandeiras anti-aborto e anti-Lula. Para Ceuci, esse resultado na eleição do CFM é um reflexo do que vem acontecendo mundo afora, “onde a extrema-direita busca tomar instituições”.
“O Conselho Federal de Medicina é uma autarquia federal que existe para defender a ética médica, o bom desempenho da medicina e, em última análise, a população. Então isso foi tratado como se fosse uma eleição de um sindicato, uma instituição ligada diretamente à política, um partido político, e a gente precisa entender que não é assim”, pontuou.
“A sociedade, que tanto confia nos médicos, vê um órgão completamente dominado pela política”, acrescentou.
Para Ceuci, o CFM poderia atuar, por exemplo, fazendo incursões junto às faculdades para contribuir com a melhoria da qualidade da formação dos novos médicos nesta onde de faculdades de Medicina que vem surgindo. De acordo com ela, a maior parte dessas escolas está sendo aberta por via judicial, uma vez que o governo federal vem limitando a abertura.
“São aquelas escolas que estão na fila para serem avaliadas pelo MEC (Ministério da Educação), se tem condições, hospital, se tem professores. Essas instituições entram na Justiça e a Justiça abre essas escolas [...] É mais uma vez a questão do capital. A escola de Medicina é a escola que cobra mensalidade mais cara, então todo mundo quer entrar nessa fatia. E não é uma coisa só de governo, ele tem a força pra atuar, mas não é só isso”, afirmou.
Confira a entrevista:
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