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Carlos Zacarias: classe dominante costuma se mobilizar contra governantes, foi o que ocorreu com Vargas

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Carlos Zacarias: classe dominante costuma se mobilizar contra governantes, foi o que ocorreu com Vargas

O suicídio de Getúlio Vargas completa 70 anos no próximo sábado (20) e foi tema de entrevista no Jornal da Bahia no Ar

Carlos Zacarias: classe dominante costuma se mobilizar contra governantes, foi o que ocorreu com Vargas

Foto: Reprodução/Arquivo Nacional

Por: Metro1 no dia 20 de agosto de 2024 às 10:06

Atualizado: no dia 20 de agosto de 2024 às 10:29

O próximo sábado, 24 de agosto, marca os 70 anos do suicídio de Getúlio Vargas, em 1954. A tragédia não só chocou o país, como também mudou sua história. Há quem diga, inclusive, que ela adiou por 10 anos o golpe militar. É o caso do historiador e professor da Universidade Federal da Bahia Carlos Zacarias, entrevistado nesta terça-feira (20) na Rádio Metropole. Para ele, o assédio e perseguição sofridos por Vargas naquele período são estratégias comuns até os dias atuais nas classes dominantes.

“As classes dominantes no Brasil costumam mobilizar a ideia de que os governos estão envolvidos em corrupção para poder atacar os políticos, porque a ideia de que os políticos roubam é uma ideia muito fácil de ser assimilada pelas pessoas [...] Foi o que aconteceu em 1954, e acossado por aqueles ataques todos, que tinham a ver com interesses diversos das classes dominantes brasileiras, das classes de dominantes do imperialismo estadunidense, terminou levando àquele desfecho trágico, que foi o suicídio de Getúlio Vargas”, pontuou o professor.

Para Zacarias, hoje a figura de Getúlio Vargas é símbolo de conquistas importantes, como as leis trabalhistas e a Petrobras. O “pai dos pobres”, no entanto, sofreu no seu governo um assédio e onda de ódio, “mobilizados contra sua figura por ser um político de grande prestígio, um presidente da República que tinha voltado em 1950, depois de ter governado o Brasil por 15 anos, entre 1930 e 1945”, lembra o professor. 

“Depois ele volta ao governo e fica até 1954, período em que o país passava por uma crise profunda, que tinha uma figura central que era seu adversário, Carlos Lacerda, um político da UDN (União Democrática Nacional), um partido grande na época, que depois se notabilizou pelo golpismo”, emendou.

O episódio que terminou com o suicídio do então presidente começou, lembra Zacarias, com o Atentado da Rua Tonelero, uma ação violenta, com viés político, que tinha como objetivo o assassinato de Lacerda, mas que acabou culminando na morte do major-aviador Rubens Florentino Vaz. “O atentado não tinha a ver com Getúlio Vargas, especificamente, mas tinha a ver com um segurança de Getúlio Vargas, uma figura muito próxima de Getúlio Vargas, que era Gregório Fortunato, que resolveu tomar para si as dores daquele seu patrão cujo adversário defenestrava cotidianamente dizendo que o Brasil estava mergulhado na lama”, explicou.

Confira a entrevista: