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“Não existe consentimento quando não há escolha”, diz vítima de Jair Tércio, líder religioso acusado de abusos
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“Não existe consentimento quando não há escolha”, diz vítima de Jair Tércio, líder religioso acusado de abusos
Tatiana Badaró, primeira vítima a denunciar o caso, afirma que a condenação é essencial para prevenir abusos e romper a cultura de poder

Foto: Reprodução/Youtube
“Se você não pode dizer não, você não pode dizer sim.” A afirmação de Tatiana Badaró, primeira vítima a denunciar Jair Tércio Cunha Costa, sintetiza a dinâmica de poder, coerção e abuso atribuída ao líder espiritual denunciado por violentar 14 mulheres. Em entrevista ao Jornal da Cidade, nesta quarta-feira (17), Tatiana destacou que a condenação é fundamental para ampliar o debate público e fortalecer ações de prevenção.
“As pessoas acham, por exemplo, que quando a gente fala de assimetria de poder, de abuso religioso, do que aconteceu comigo e com dezenas de mulheres, isso não tem relação com os números de feminicídio. Mas o que aconteceu comigo, o que aconteceu com tantas pessoas, só é possível porque existe uma cultura que aceita a instrumentalização do poder para o uso de vantagens pessoais, inclusive sexuais”, afirma.
Segundo Tatiana, os abusos religiosos e a assimetria de poder não estão dissociados de uma estrutura social que naturaliza o uso da autoridade para obtenção de benefícios pessoais. Jair Tércio Cunha Costa está foragido desde 2020. Ex-grão-mestre de uma loja maçônica na Bahia e conhecido como “falso profeta”, ele nunca foi localizado pelas forças policiais.
Para ela, a condição de foragido levanta uma questão central: quem o ajuda a se esconder e até que ponto essas pessoas podem estar envolvidas nos crimes. “Quem está ajudando Jair a ficar escondido? E por que essas pessoas continuam ajudando? Em que medida elas não estão envolvidas nos crimes de Jair? É muito complexo falar desse lugar”, diz.
Tatiana relata ainda que havia dependência emocional, retaliações contra familiares e pressão constante para manter o controle sobre quem tentava sair do grupo. De acordo com ela, o pedido de sigilo e o isolamento das vítimas faziam parte do mesmo mecanismo de poder presente em diferentes formas de violência de gênero.
Confira na íntegra:
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