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Mário e Marcelo Kertész questionam o mito da produtividade baseada na exaustão
Durante o Conversas Inúteis sobre o que Ninguém Pediu desta sexta-feira (30), pai e filho refletiram sobre culpa e esquecimento na rotina contemporânea

Foto: Reprodução/YouTube
A procrastinação disfarçada de ocupação permanente tem produzido esquecimento, culpa e a sensação constante de insuficiência. O tema foi discutido por Mário Kertész e Marcelo Kertész durante o Conversas Inúteis sobre o que Ninguém Pediu, exibido nesta sexta-feira (30) na Rádio Metropole, ao refletirem sobre como a cultura do “estar sempre ocupado” se consolidou como valor social, mesmo quando não há produtividade real.
“Tenho um bocado de coisas aqui, o projeto que eu quero fazer. Ideias, não é projeto. Mas aí, de repente, eu estou muito ocupado e vou empurrando, não faço porra nenhuma dessas ideias. Essa coisa de você se achar ocupado, porque a gente sabe que não é verdade na maioria dos casos. Claro que pode ter gente sobrecarregada. E tem gente que se sente bem. Tem gente que chega em minha sala e diz assim: ‘eu não estou aguentando, é o momento, é muita coisa’. [...] Eu, por exemplo, fui prefeito de Salvador. Porra, uma cidade complexa retada, não sei quantos secretários, vereadores, porrada, imprensa, cacete. Como é que é? É diferente de você? Mas a pessoa bota isso na cabeça e chega na minha sala: ‘não tô aguentando, não tô aguentando’”, apontou MK.
Pai e filho ampliaram a análise para além do atraso de tarefas, associando o excesso de ocupação à má gestão do tempo, à fragilidade da memória e à confusão entre urgência e importância. Para Mário Kertész, a pressa constante e o esquecimento recorrente revelam menos sobre excesso de trabalho e mais sobre desorganização e ansiedade, normalizadas no cotidiano.
“Mas o que eu acho é que hoje tem uma cultura do “tô ocupado”. É um sinal de orgulho, é uma virtude. Aqui, nos Estados Unidos, tem uma palavra que é overwhelmed. Você está overwhelmed. E, na verdade, se você tem o que fazer, se você tá organizado, você não tá assim. “Hoje eu vou fazer”, porque você já sabe, você já se organizou. E aí você não precisa ficar sempre esbaforido, porque tem coisa que é só se organizar. Mas tem essa cultura em que as pessoas acham bacana se sentir ocupadas, se sentir com mais do que aguentam. Eu acho que isso é um sinal de virtude, de ‘eu sou trabalhador, eu sou batalhador’”, concluiu Marcelo Kertész.
Confira o programa na íntegra:
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