Sábado, 30 de maio de 2026

Faça parte do canal da Metropole no WhatsApp

Home

/

Notícias

/

Rádio Metropole

/

“Somos treinados para a vida, não para a morte”, diz Raul Cutait sobre a formação médica e a relação com a morte

Rádio Metropole

“Somos treinados para a vida, não para a morte”, diz Raul Cutait sobre a formação médica e a relação com a morte

Médico critica formação e defende preparo humanístico para lidar com pacientes terminais

“Somos treinados para a vida, não para a morte”, diz Raul Cutait sobre a formação médica e a relação com a morte

Foto: Reprodução/Youtube

Por: Metro1 no dia 24 de abril de 2026 às 10:26

O médico, professor e escritor Raul Cutait, debateu sobre como a medicina lida com a morte e os limites dos tratamentos paliativos durante entrevista ao Jornal da Bahia no Ar nesta sexta-feira (24). Segundo ele, os avanços tecnológicos ampliaram significativamente a capacidade de prolongar a vida, mas nem sempre isso representa o melhor caminho para o paciente.

“Hoje consegue-se segurar a vida mais do que nunca. Doenças que antes levavam rapidamente à morte agora podem ser tratadas com diversos recursos da medicina moderna. Muitas vezes isso é bem aplicado, mas há situações em que esse prolongamento é indesejado”, afirmou.

Ao aprofundar a reflexão, Cutait destacou a necessidade de avaliar com cautela o uso desses recursos, especialmente em casos de doenças graves e sem perspectiva de cura. Para ele, é preciso considerar o impacto do tratamento na qualidade de vida do paciente, além dos custos envolvidos. “Você vai prolongar a vida de alguém com câncer terminal, com pouco tempo de vida e muito sofrimento? Isso precisa ser ponderado”, disse.

O médico também criticou a forma como os profissionais são preparados para lidar com esse tipo de situação. Segundo ele, a formação atual prioriza a preservação da vida, mas negligencia o enfrentamento da morte e o diálogo com os pacientes. “Nós, médicos, somos treinados para a vida, não para a morte. Para conversar sobre isso, é preciso ter formação técnica e também humanística”, pontuou.

Cutait ainda alertou para a expansão desordenada de cursos de medicina no país, que, na avaliação dele, tem colocado no mercado profissionais sem preparo adequado. “Abrimos muitas faculdades, várias sem estrutura. Estamos formando médicos que não estão prontos para exercer a profissão”, concluiu.

Confira entrevista na íntegra: