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“Movimentos radicais disputam o sentido de direitos e democracia”, diz Ronilso Pacheco

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“Movimentos radicais disputam o sentido de direitos e democracia”, diz Ronilso Pacheco

Escritor analisa estratégia de grupos conservadores que evitam confronto direto e redefinem conceitos centrais

“Movimentos radicais disputam o sentido de direitos e democracia”, diz Ronilso Pacheco

Foto: Arquivo Pessoal

Por: Metro1 no dia 04 de maio de 2026 às 18:57

Em entrevista ao Jornal da Cidade desta segunda-feira (4), o escritor Ronilso Pacheco comentou o livro que vai lançar, “Diálogos em tempos difíceis”, publicado pela editora Fósforo em coautoria com Michel Gherman e a jornalista Ana Luiza Albuquerque. A obra aborda como a extrema direita tem instrumentalizado a religião para mobilizar suas bases e corroer estruturas democráticas.

Durante a entrevista, Pacheco afirmou que esses movimentos têm adotado uma estratégia baseada na chamada “política da opacidade”, evitando confrontos diretos com valores consolidados como democracia e direitos humanos.

“Basicamente a política da opacidade é essa ideia de que esses novos movimentos extremistas, seja de radicais com aparência moderada, se organizam muito bem dentro das democracias e passam a ter uma estratégia de não enfrentarem diretamente aquilo que sempre foi muito caro para as lutas por direitos civis”, explicou.

Segundo ele, especialmente nos Estados Unidos, esses grupos perceberam que se posicionar abertamente contra conquistas históricas se tornou inviável. “Chega-se à conclusão de que é difícil bater na ideia dos direitos civis, porque é uma conquista importante. Fica ‘feio’ você ser contrário, por exemplo, à democracia”, afirmou.

A partir disso, a estratégia passa a ser a disputa de significado desses conceitos. “Nós não somos contrários aos direitos humanos, mas vamos disputar o que quer dizer direitos humanos à luz de uma perspectiva conservadora. O mesmo vale para a democracia e para a liberdade de expressão”, disse.

Pacheco destaca que essa ressignificação altera o sentido original dessas ideias. “A democracia é a partir daquilo que nós desenhamos. A liberdade de expressão, por exemplo, passa a ser usada para justificar discursos que antes eram vistos como inaceitáveis. Nos Estados Unidos, isso inclui dizer que a escravidão teve um lado positivo”, pontuou.