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“Tudo que é civilizatório foi chamado de comunismo”, afirma Jones Manoel
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“Tudo que é civilizatório foi chamado de comunismo”, afirma Jones Manoel
Comunicador criticou o avanço da extrema direita, o discurso redpill e o aumento da desigualdade social

Foto: Reprodução/Youtube
O historiador, comunicador e pré-candidato a deputado federal em Pernambuco Jones Manoel afirmou, em entrevista ao Jornal da Bahia no Ar nesta terça-feira (12), que o comunismo historicamente foi associado no Brasil a pautas ligadas a direitos sociais, trabalhistas e ampliação de políticas públicas. Segundo ele, ideias hoje consideradas civilizatórias chegaram a ser classificadas como “agitação comunista” em diferentes períodos da história brasileira.
“Sou marxista leninista que entende que estamos no contexto da América Latina”, declarou. Jones disse que, ainda durante o Império, pautas como defesa da escola pública, valorização da arte e criação de teatros eram tratadas sob esse rótulo. “Era chamado de ‘agitação comunista’ a defesa da regulação da jornada de trabalho, de assistência à classe trabalhadora pobre e até o combate aos castigos físicos”, disse.
O comunicador também citou o período do governo de Getúlio Vargas para argumentar que setores conservadores passaram a utilizar o termo “comunista” para criticar medidas trabalhistas e sociais. “A imprensa empresarial burguesa chegou a chamar o governo de Getúlio Vargas de comunista porque ele começou a promulgar leis trabalhistas após 1930”, afirmou.
Durante a entrevista, Jones Manoel avaliou que parte das críticas históricas ao comunismo perdeu força nos últimos anos, especialmente entre os jovens e setores da classe trabalhadora. Segundo ele, debates políticos e teóricos têm reduzido o impacto de discursos anticomunistas tradicionais.
“As caricaturas anticomunistas vão ser derrotadas e já estão sendo. Quando falavam de comunismo era sempre associado à ideia de milhões de mortes, e isso tem se reduzido cada vez mais”, declarou. Para o historiador, o crescimento desse debate ocorre em meio à insatisfação social causada pelo avanço do neoliberalismo em diferentes países.
Jones também afirmou que o cenário internacional registra crescimento de movimentos de extrema direita, avanço de organizações neofascistas e aumento da desigualdade social. Ele citou os Estados Unidos como exemplo de deterioração das condições de vida em países capitalistas centrais.
“Hoje, no mundo inteiro, tirando alguns países, a extrema direita está em crescimento. Você tem um discurso de ódio contra imigrantes e uma degradação das condições de vida”, afirmou. Segundo ele, sociedades ocidentais vivem um processo de decadência social associado ao modelo neoliberal consolidado nas últimas décadas.
O historiador também relacionou problemas sociais brasileiros, como o encarceramento em massa e o fortalecimento de facções criminosas, ao modelo econômico neoliberal. Além disso, criticou o crescimento de discursos conservadores entre jovens, incluindo movimentos ligados à chamada cultura “redpill”.
“Hoje a juventude tem uma tendência maior ao conservadorismo. A geração dos anos 60 era menos conservadora do que a atual”, concluiu.
Confira a entrevista na íntegra:
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