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"O jornalismo vive hoje um problema de inteligência artificial e natural", diz Cláudio Leal

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"O jornalismo vive hoje um problema de inteligência artificial e natural", diz Cláudio Leal

Jornalista e escritor critica o uso acrítico da IA nas redações e destaca o legado de José Celso Martinez Corrêa

"O jornalismo vive hoje um problema de inteligência artificial e natural", diz Cláudio Leal

Foto: Reprodução YouTube

Por: Metro1 no dia 08 de junho de 2026 às 21:08

Atualizado: no dia 08 de junho de 2026 às 21:11

Em entrevista ao Jornal da Cidade desta segunda-feira (8), o jornalista e escritor Cláudio Leal comentou os impactos da inteligência artificial na imprensa e afirmou que o principal desafio do jornalismo contemporâneo não está apenas na tecnologia, mas também na capacidade humana de compreender e interpretar a realidade. “O jornalismo vive hoje um problema de inteligência artificial e natural”, afirmou.

“O problema não é só a inteligência artificial. É saber o que estamos fazendo com a inteligência natural”, observou o escritor ao defender uma reflexão sobre os rumos da profissão.

Durante a entrevista, ele ressaltou que a tecnologia pode ser útil em tarefas operacionais, mas não substitui a experiência humana na produção da notícia.

Leal também alertou para o risco de uma cobertura excessivamente automatizada, sem espaço para interpretação e aprofundamento. “O jornalismo continua dependendo da escuta, da curiosidade e da capacidade de fazer perguntas”, disse.

"O devorador: Zé Celso, vida e arte"

Além de discutir os desafios do jornalismo, Cláudio Leal falou sobre seu livro, "O devorador: Zé Celso, vida e arte", homenagem ao diretor de teatro José Celso Martinez Corrêa.

“É uma abordagem polifônica”, explicou Leal. “Eu tento acompanhar a trajetória do Zé a partir do olhar de um interlocutor ou de uma testemunha da atuação artística dele em cada momento.”

Segundo o autor, o livro percorre diferentes fases da vida do dramaturgo, desde sua ascensão como um dos principais nomes do teatro brasileiro até os últimos anos de sua produção artística. Entre os temas abordados estão as remontagens de clássicos como "Roda Viva" e "O Rei da Vela" durante o governo Bolsonaro, além do interesse de Zé Celso pela questão indígena e ambiental.

Leal revelou que esteve com o diretor cerca de um mês antes do incêndio que provocou sua morte.

“O Zé tinha uma cabeça também de chefe de Estado”, afirmou o escritor. “Assim como Glauber, Caetano e Gil, ele trabalhava em uma frequência que não era apenas artística, mas a do pensamento sobre a sociedade como um todo". Para Leal, essa capacidade de unir arte, política e reflexão sobre o país é um dos principais legados de José Celso.

Confira a entrevista na íntegra: