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Secretário de Justiça da Bahia critica redução da maioridade penal: "grande equívoco"

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Marcelo Freixo lança livro em Salvador e defende olhar para o Rio para entender violência no Brasil
Freixo defende combate ao crime organizado sem criminalizar moradores de favelas e periferias

Foto: Metropress/Luan Borges
Às vésperas do lançamento do livro Viver é Perigoso: Minha Travessia no Rio, que acontece nesta quinta-feira (11), no Velho Espanha, em Salvador, Marcelo Freixo afirmou que os desafios da segurança pública no Rio de Janeiro ajudam a compreender problemas que hoje se espalham pelo Brasil. A declaração foi dada em entrevista ao Jornal da Bahia no Ar, onde o ex-deputado federal e ex-presidente da Embratur discutiu temas como milícias, violência política e crime organizado.
"Eu acho que o desafio de avançar no enfrentamento ao crime organizado no Rio interessa todo o Brasil. A milícia, por exemplo, nasce no Rio de Janeiro e ela se expande hoje para outros lugares no Brasil. A relação com as facções do tráfico tem um forte papel no Rio de Janeiro que se expande pelo Brasil", disse.
Ao abordar a obra escrita em parceria com o jornalista Bruno Paes Manso, Freixo explicou que o livro mergulha no Rio de Janeiro para além dos cartões-postais e das imagens exibidas nas redes sociais. O ex-parlamentar relembra episódios marcantes de sua trajetória, como a atuação contra as milícias e a convivência com figuras como Marielle Franco, assassinada em 2018. Para ele, discutir violência, ação policial e segurança pública exige compreender a complexidade dos territórios populares e ouvir quem vive diariamente os impactos desse cenário.
"Qualquer favela de Salvador, qualquer favela do Rio de Janeiro, qualquer favela, você não tem 1% dos moradores envolvidos com crime. Então você não pode olhar para esses territórios, para esses lugares, e só enxergar o crime que representa 1% daqueles moradores", contou.
Freixo também relacionou o debate à recente chacina registrada no Rio de Janeiro e criticou respostas baseadas apenas na repressão. Segundo ele, enfrentar o crime organizado exige atacar suas fontes de financiamento, combater o tráfico de armas e formular políticas públicas eficientes. O ex-deputado defendeu a cooperação internacional sem interferência externa na soberania brasileira e afirmou que experiências históricas mostram que intervenções dos Estados Unidos não produziram soluções duradouras. Para ele, o desafio passa por proteger a população das comunidades, principais vítimas da violência, sem criminalizar territórios inteiros nem transformar o medo em política de segurança.
Confira a entrevista na íntegra:
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