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“A arte é perseguida em questões políticas”, diz ator do espetáculo “CÃO”, em cartaz em Salvador

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“A arte é perseguida em questões políticas”, diz ator do espetáculo “CÃO”, em cartaz em Salvador

Atores Olivia Léon e Giordano Castro discutem como a montagem aborda poder, crítica política e o discurso do “tanto faz” nas escolhas eleitorais

“A arte é perseguida em questões políticas”, diz ator do espetáculo “CÃO”, em cartaz em Salvador

Foto: Metropress/Fernanda Villas

Por: Metro1 no dia 30 de junho de 2026 às 18:45

O espetáculo “CÃO”, em cartaz no CineTeatro 2 de Julho, em Salvador, até o dia 6 de julho, nasce da parceria entre os grupos Clowns de Shakespeare (RN) e Magiluth (PE) e utiliza os bastidores de uma posse presidencial em uma república fictícia para discutir poder, trabalho e política. Em entrevista ao Jornal da Cidade, os atores Giordano Castro e Olivia Léon destacaram como a montagem atravessa o debate político contemporâneo a partir da cena teatral.

A atriz argentina Olivia Léon chamou atenção para como a peça provoca uma reflexão sobre o esvaziamento do debate político e a ideia de que “todos os políticos são iguais”, discurso que, segundo ela, reduz a capacidade de análise crítica e pode influenciar escolhas eleitorais marcadas pela desilusão. “A peça traz esse discurso do ‘tanto faz esquerda e direita, político é tudo igual e não presta’”, afirmou.

Olivia relaciona essa percepção a contextos recentes da América Latina e cita o caso argentino como exemplo de reação política marcada pela descrença no sistema. “Eu acho que foi justamente esse pensamento que levou também a população da Argentina a votar para seu próprio mal”, disse. “É um voto de muita raiva contra uma proposta mais popular e também por essa ideia de que tanto faz, então vamos escolher o novo só porque é novo.”

Para Giordano Castro, a arte está diretamente ligada à formação de pensamento crítico e, por isso, frequentemente entra em conflito com visões mais conservadoras. “Eu acho que a arte é perseguida sempre em questões políticas, quando tem um olhar político mais conservador. E isso não fica só na arte, mas na educação, em qualquer coisa que faça o cidadão ter pensamento crítico”, afirmou. Ele reforça que o ponto central é a capacidade de reflexão diante de discursos prontos. “Ter um pensamento crítico é conseguir ir além do que é dado. Quando vem uma verdade absoluta e joga na minha cara, eu não consigo refletir sobre aquilo, eu só aceito tudo o que você diz”, disse.

Confira na íntegra: