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Carlos Lacerda foi tsunami na história do Brasil, diz Mário Magalhães sobre novo livro

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Carlos Lacerda foi tsunami na história do Brasil, diz Mário Magalhães sobre novo livro

Jornalista e biógrafos concedeu entrevista à Rádio Metropole nesta terça-feira (7)

Carlos Lacerda foi tsunami na história do Brasil, diz Mário Magalhães sobre novo livro

Foto: Reprodução/Youtube

Por: Metro1 no dia 07 de julho de 2026 às 10:05

Atualizado: no dia 07 de julho de 2026 às 10:26

Um dos personagens mais influentes e controversos da política brasileira no século XX, Carlos Lacerda é o tema da nova biografia do jornalista e escritor Mário Magalhães. Intitulada como "Lacerda: Coração de Tempestade", a obra é resultado de 11 anos de pesquisa e chega às livrarias na última semana de agosto. Em entrevista à Rádio Metropole nesta terça-feira (7), o autor afirmou que compreender a trajetória do político é também entender momentos decisivos da história do Brasil.

"Carlos Lacerda foi um tsunami na história do Brasil. Foi um vulcão, um furacão. Foi um homem que abalou profundamente a história do país", definiu. Segundo o biógrafo, a figura do político sempre esteve cercada por paixões e rejeições, o que dificultou análises equilibradas sobre sua trajetória. "Durante toda a existência dele foi virtualmente impossível encontrar olhares distanciados e equilibrados. Ele despertou paixões e ódios como ninguém neste país."

Carlos Lacerda é considerado um dos políticos mais influentes e polarizadores da história brasileira. Deputado federal, governador do antigo Estado da Guanabara ele foi um dos principais líderes da oposição a Getúlio Vargas e João Goulart, teve papel central em alguns dos episódios mais marcantes da política nacional durante o século XX.

Onze anos para compreender Carlos Lacerda

Autor de biografias premiadas, como "Marighella: O guerrilheiro que incendiou o mundo", Magalhães contou que contrariou uma ideia recorrente entre biógrafos de que longos períodos de convivência com um personagem acabam comprometendo o trabalho. "Subverto uma lei difundida por um grande biógrafo brasileiro, de que um biógrafo não pode ficar mais de cinco anos com seu biografado porque enjoa dele. Isso não aconteceu comigo nos nove anos em que convivi com a biografia de Marighella, nem nos 11 anos dedicados a entender e contar a vida de Carlos Lacerda", afirmou.

O jornalista explicou que o primeiro volume da biografia, que é dividida em dois volumes, percorre a vida de Lacerda até novembro de 1955, quando ele embarca para um autoexílio de 11 meses. Ao longo da obra, o autor procura romper com leituras simplificadas sobre o personagem. "Meu desafio foi retirá-lo das camisas de força históricas que até hoje tentam aprisioná-lo. Ele não foi uma figura linear."

Personagem de contradições

Segundo Magalhães, as mudanças de posicionamento político de Lacerda ajudam a explicar essa complexidade. "Ele foi comunista e anticomunista. Defendeu o direito ao divórcio e depois passou a ser contra. Combateu o fundamentalismo católico, converteu-se ao catolicismo e mais tarde voltou a questionar profundamente a própria fé." Para o autor, compreender essas contradições é essencial para entender a formação política brasileira.

Ainda durante a entrevista, Mário Magalhães discute a origem do nome de Carlos Lacerda. A versão mais difundida sustenta que o pai teria escolhido "Carlos Frederico" em homenagem a Karl Marx e Friedrich Engels. Magalhães, porém, questiona essa interpretação. "Eu problematizo essa versão baeando nos próprios depoimentos que Carlos deu". Segundo explica Magalhães, Carlos nasceu em 1914, quando seu pai ainda não era um homem de esquerda.

Para Magalhães, conhecer Carlos Lacerda é indispensável para compreender a própria história nacional. "Não sou advogado de biografado nem promotor. O fundamental é que o personagem provoque emoções. Há momentos em que vibro com ele e outros em que o rejeito completamente. Não dá para contar a história do Brasil sem conhecer a de Carlos Lacerda", concluiu.

Confira a entrevista na íntegra: