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Ouvinte da Metropole expõe impacto devastador do vício em apostas "Perdi amigos, família e casamento"

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Ouvinte da Metropole expõe impacto devastador do vício em apostas "Perdi amigos, família e casamento"

Depoimento foi ao ar no Jornal da Metropole no Ar e expõe as consequências da compulsão por apostas no mesmo dia em que o Jornal Metropole revelou um mercado clandestino que ensina a criar plataformas ilegais de bets

Ouvinte da Metropole expõe impacto devastador do vício em apostas "Perdi amigos, família e casamento"

Foto: Canva imagens

Por: Metro1 no dia 16 de julho de 2026 às 14:27

A expansão do mercado de apostas esportivas e jogos online tem deixado um rastro de prejuízos financeiros e emocionais para milhares de brasileiros. Nesta quinta-feira (16), um ouvinte anônimo compartilhou, ao vivo, no programa Jornal da Metropole no Ar, da Rádio Metropole, um relato sobre como o vício em apostas destruiu sua vida.

O depoimento foi ao ar no mesmo dia em que o Jornal Metropole publicou uma reportagem mostrando a existência de um mercado clandestino que oferece cursos para ensinar interessados a criar plataformas ilegais de apostas. O esquema, além de alimentar a proliferação de sites sem autorização, também amplia um ambiente sem qualquer compromisso com a prevenção ao vício ou com mecanismos de proteção aos usuários.

Segundo o ouvinte, a dependência começou de forma aparentemente inofensiva. "Comecei ali por uma brincadeira. Dali você vai ganhando. Não existia na época nem esse tigrinho. Eu comecei a ganhar, a me satisfazer daquilo e achar que eu era muito bom."

A sequência de vitórias iniciais deu lugar à falsa sensação de controle. O dinheiro conquistado rapidamente era gasto com a expectativa de novas vitórias no dia seguinte."Eu ganhava e via assim: 'Ganhei R$ 1.000 agora, então posso gastar porque amanhã ganho de novo'."

Com o tempo, a situação saiu do controle. Ele conta que acumulou dívidas, perdeu amizades, o casamento "Quando percebi, estava atolado de dívidas até o pescoço, sendo abandonado por amigos, pela família. Acabei me separando, devendo a agiota e sendo ameaçado. Meu mundo foi devastado."

Na época, segundo ele, o vício em apostas ainda era pouco discutido. "As pessoas até achavam que eu estava viciado em drogas. Mas eu nunca usei drogas. Fiquei um ano e meio dentro de um quarto, sem querer sair, sem querer comer, sem querer fazer nada." Segundo ele, chegou a se esconder no banheiro para fazer apostas.

Quatro anos após abandonar as apostas, as consequências financeiras ainda fazem parte da rotina. "Há quatro anos eu não aposto mais e, ainda luto para sair das dívidas." Ao comparar sua realidade atual com o período em que movimentava grandes quantias em apostas, ele disse que hoje valoriza pequenas conquistas financeiras.

"Hoje eu vejo uma corrida de aplicativo de R$ 20 como algo valioso. Eu era o cara que apostava R$ 10 mil, R$ 20 mil, R$ 30 mil. Já ganhei R$ 50 mil em um dia, mas, por querer recuperar R$ 300 que perdi, acabei perdendo os R$ 50 mil também." Emocionado, ele encerrou o relato com um alerta para quem vê nas apostas uma oportunidade de lucro fácil. "Caiam fora disso. Isso é realmente devastador."

Apoio pelo SUS

Diante do aumento dos casos de dependência relacionados a jogos e apostas, o Sistema Único de Saúde (SUS) passou a oferecer teleatendimento em saúde mental para pessoas que enfrentam esse tipo de problema, especialmente envolvendo apostas online. O serviço é gratuito, destinado a maiores de 18 anos e também pode ser utilizado por familiares e pessoas da rede de apoio. O acesso é realizado por meio do aplicativo Meu SUS Digital, ampliando o suporte para quem busca tratamento e orientação.

Confira relato: