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Psicanalista José Solon critica banalização do termo compulsão sexual: "Não é apenas um vício psicológico"

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Psicanalista José Solon critica banalização do termo compulsão sexual: "Não é apenas um vício psicológico"

Especialista defende que casos não sejam tratados apenas como vício e relaciona comportamento ao machismo estrutural e à objetificação do corpo feminino

Psicanalista José Solon critica banalização do termo compulsão sexual: "Não é apenas um vício psicológico"

Foto: Reprodução/Youtube/Portal Metro1

Por: Metro1 no dia 31 de julho de 2026 às 18:20

Atualizado: no dia 31 de julho de 2026 às 18:27

O psicólogo e psicanalista José Solon criticou o uso indiscriminado do termo "compulsão sexual" para explicar casos de violência e importunação contra mulheres. Em entrevista ao Jornal da Cidade, nesta sexta-feira (31), o especialista afirmou preferir a expressão "compulsão ao sexual", por considerar que ela evita reduzir comportamentos a uma condição biológica ou psicológica.

"Há uma tentativa de separar isso como um vício biológico ou um vício psicológico, o que permite uma leitura de que o sujeito está fora disso, que ele é apenas uma vítima desse discurso", afirmou.

O psicanalista chamou atenção para um padrão recorrente nos episódios de importunação sexual, em que mulheres aparecem como principais alvos. Segundo ele, essa repetição não pode ser ignorada. "Com uma intensidade estatisticamente muito grande, é o corpo da mulher que está sendo utilizado. Eu não me recordo de uma única vez de ver uma mulher se utilizando desses mecanismos para se apropriar do corpo de um homem", declarou.

Para Solon, esse cenário está diretamente relacionado ao machismo e à forma como o corpo feminino é constantemente hipersexualizado na sociedade. O especialista também apontou a influência da pornografia produzida majoritariamente para o público masculino na construção desse imaginário. "Esse comportamento é muito comum e, de alguma maneira, reforça as discussões sobre algo do machismo estrutural envolto nisso", disse.

Por fim, o psicólogo defendeu que o debate sobre esses casos seja conduzido com mais profundidade e responsabilidade, sem recorrer a explicações simplificadas. Para ele, compreender esses episódios exige discutir relações de poder, objetificação da mulher e os fatores culturais que contribuem para a repetição desse tipo de violência.

Confira a entrevista completa: