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"Biografias não precisam ser chapa branca", diz Tom Cardoso ao criticar obras que "glamourizam" artistas
Jornalista e escritor lança três livros em Salvador e afirma que o papel do biógrafo é retratar também as contradições dos personagens

Foto: Reprodução/Youtube/Portal Metro1
O jornalista e escritor Tom Cardoso defendeu uma abordagem mais independente na produção de biografias durante entrevista ao Jornal da Cidade, nesta sexta-feira (31). Em Salvador para lançar os livros "Nem tanto esotérico assim – Seis Vezes Gil", "Eu Queria Ser Cássia Eller" e "Vida de Gado", o autor afirmou que o compromisso do biógrafo deve ser com os fatos, e não com a imagem dos personagens retratados. "As biografias não precisam ser chapa branca. É preciso independência e um certo distanciamento", declarou.
Ao comentar o livro sobre Gilberto Gil, Cardoso destacou que a obra não foi escrita para atacar, muito menos para enaltecer o artista. Segundo ele, a intenção foi construir um retrato real do cantor. "Não é um livro contra o Gil, mas no Brasil tem essa mania de achar que a biografia precisa fazer um beija-mão com o biografado. Todo mundo tem contradições", afirmou.
O escritor também explicou que o rigor na apuração é o principal critério para decidir o que entra ou não em seus livros. "Quando alguém fala alguma coisa e eu não consigo comprovar, eu deixo de fora. Tanto que eu nunca fui processado pelos meus livros", disse. Para ele, o trabalho de pesquisa costuma revelar episódios pouco lembrados, mas que foram registrados publicamente ao longo da trajetória dos personagens.
Cardoso afirmou que não busca fatos inéditos apenas para causar impacto. Segundo o jornalista, muitas das informações consideradas surpreendentes já foram ditas pelos próprios artistas em entrevistas antigas e acabaram esquecidas com o tempo. "Eu não tenho muita preocupação em revelar fato novo ou procurar uma fofoca. Pesquisando, você acha muita coisa interessante que já foi dita e registrada", explicou.
Ao refletir sobre o trabalho de biógrafo, o autor avaliou que a preservação da memória é um dos maiores desafios do jornalismo e da literatura documental. "Tem muita coisa reveladora que o Brasil esquece. O Brasil é um país sem memória", concluiu, defendendo que revisitar documentos e declarações públicas é essencial para construir narrativas mais completas e fiéis à história.
Confira a entrevista completa:
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