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Adriana Marques aponta interesse eleitoral em vídeo dos EUA sobre “domínio” das Américas
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Adriana Marques aponta interesse eleitoral em vídeo dos EUA sobre “domínio” das Américas
Em participação no programa Três Pontos desta quarta-feira (12), professora declarou que manifestações dos EUA podem surgir nos próximos meses, em uma estratégia que se estende até as eleições de outubro

A declaração dos Estados Unidos de que o domínio sobre o Hemisfério Ocidental “nunca mais será questionado” faz parte, na avaliação da cientista política Adriana Marques, de uma estratégia mais ampla da política externa norte-americana para ampliar sua influência sobre a América Latina. Doutora em Ciências Políticas, professora e coordenadora do Laboratório de Estudos de Defesa da UFRJ, ela afirmou, durante participação no programa Três Pontos desta quarta-feira (12), que a iniciativa também deve ser analisada no contexto das eleições brasileiras.
“Enfim, é mais uma peça publicitária, produzida pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos, nesse contexto dessa doutrina mais agressiva da política externa norte-americana, dessa atualização da doutrina Monroe, e imagino que veremos peças ainda parecidas ou até de teor mais complicado nos próximos meses, porque está evidente que o governo dos Estados Unidos tem um interesse particular nas eleições brasileiras e está realizando essas ações já há algum tempo, e essas ações devem se estender até as eleições de outubro”, afirmou.
Para Adriana, a publicação não deve ser interpretada como uma manifestação isolada. O vídeo recupera a Doutrina Monroe e apresenta a predominância dos Estados Unidos no continente como princípio de sua política externa, em um momento de ampliação da atuação de Washington na América Latina. A estratégia norte-americana prevê maior presença política e militar na região e busca reforçar a influência dos EUA sobre países considerados estratégicos.
“Isso é parte de uma estratégia maior do governo de extrema-direita que está nos Estados Unidos agora de tentar desestabilizar países que eles não consideram ideologicamente alinhados aos Estados Unidos nesse momento”, avaliou.
A cientista política afirmou ainda que a atuação de Washington deve ser observada dentro de um movimento mais amplo de pressão política sobre governos latino-americanos. Ela avalia que esse processo tende a ganhar novos episódios ao longo dos próximos meses. “E imagino que veremos peças ainda parecidas ou até de teor mais complicado nos próximos meses”, afirmou Adriana. Para ela, a sequência de manifestações deve ser acompanhada especialmente durante o período eleitoral, já que o governo norte-americano teria interesse particular no resultado da disputa brasileira.
Confira o programa na íntegra:
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