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Escolha de Alfredo Gaspar para vice de Flávio Bolsonaro desagrada lideranças evangélicas, avalia jornalista
Em entrevista à Rádio Metropole, jornalista Anna Virginia Balloussier avaliou que o senador perdeu oportunidade de ampliar apoio entre mulheres cristãs

Foto: Reprodução/Youtube
A escolha de Alfredo Gaspar para vice na chapa de Flávio Bolsonaro à Presidência da República teria causado insatisfação entre lideranças evangélicas. A avaliação foi feita pela jornalista Anna Virginia Balloussier, em entrevista à Rádio Metropole nesta sexta-feira (14).
Segundo Balloussier, lideranças esperavam que Flávio escolhesse uma mulher, preferencialmente cristã, para compor a chapa. "Muitas lideranças com quem conversei, que estavam no Palácio do Planalto várias vezes durante o governo do pai do Flávio, pensaram que não foi uma escolha acertada, porque o Flávio precisa desse voto feminino, sobretudo depois da briga pública com a madrasta, Michelle Bolsonaro.” Entre os nomes citados por lideranças estava o da vereadora Priscila Costa, do Ceará.
Na avaliação de Balloussier, embora Gaspar tenha como trunfo a atuação como relator da CPI do INSS, lideranças não enxergaram no deputado um potencial para ampliar a votação da chapa. “Falam que tem esse lado que pode ser forte, mas não viram [nele] alguém que poderia agregar votos”, disse.
A jornalista também citou ressalvas relacionadas a uma investigação sobre possível uso incorreto de emendas parlamentares e a uma denúncia de estupro de vulnerável envolvendo Gaspar. Ela destacou que a denúncia ainda está sob investigação e que o próprio deputado tem defendido a realização de testes de DNA. “Não estamos falando que essa denúncia procede, ainda está sob investigação e o próprio está sendo muito firme em falar sobre testes de DNA”, afirmou Balloussier.
Segundo a jornalista, mesmo que a denúncia não avance, a acusação pode ter impacto político sobre a candidatura. “Estamos num momento do Brasil em que as notícias circulam muito rápido, que tudo pode pesar”, avaliou.
Força do eleitorado evangélico
Balloussier também analisou a força do eleitorado evangélico nas eleições. Segundo ela, o grupo é diverso e não vota exclusivamente por questões relacionadas à fé, mas possui redes comunitárias que podem favorecer a influência de lideranças religiosas.“Os evangélicos têm um senso de comunidade maior, vivem num ecossistema muito específico que encontra maridos, esposas, grupos de jovens dentro da igreja”, afirmou.
Para a jornalista, embora as igrejas evangélicas não tenham uma estrutura hierárquica capaz de determinar o voto, algumas lideranças funcionam como referências para pastores e fiéis. “Na prática, permite uma mobilização político-eleitoral muito mais forte dos evangélicos em relação aos católicos”, disse.
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