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Pondé critica projeto de país no Brasil e aponta limites da política para transformar a sociedade
Filósofo afirma que expectativa de usar a política para melhorar o mundo entra em conflito com a experiência histórica e, no Brasil, é marcada por corrupção e demagogia

Foto: Reprodução/Youtube
O filósofo e escritor Luiz Felipe Pondé analisou, em entrevista à Rádio Metropole nesta quinta-feira (27), a relação entre política e a construção de um projeto de país. A discussão partiu de um artigo recente publicado por ele na Folha de S.Paulo, no qual aborda a expectativa de que a política seja capaz de produzir uma sociedade melhor.
Ao comentar a situação brasileira, Pondé afirmou que a expectativa de construir um projeto de país por meio da política acaba desvirtuada. “Quando eu escrevi que no Brasil o projeto de país melhor parece tique nervoso é porque a política aqui, comparada com outros países, é muito ruim, muito corrupta. Até a ideia de um projeto de país melhor pela política aqui se transforma em nicho de corrupção, retórica e demagogia.”
Pondé explicou ainda que, desde os pensadores da Antiguidade, a política e os regimes políticos eram avaliados pela capacidade de evitar que a realidade se tornasse pior e garantir condições mínimas para a vida em sociedade. Segundo ele, Platão e Aristóteles já discutiam diferentes formas de governo: a monarquia, exercida por um; a oligarquia, por poucos; e a democracia, pelo povo.
Para o filósofo, esses modelos deveriam combinar diferentes formas de participação e poder, já que a ausência de espaço para os interesses da maioria poderia levar à ruptura do sistema político. A partir do século XVIII, porém, a política passou a ser associada também à ideia de progresso e aperfeiçoamento humano, criando uma expectativa de transformação da sociedade.
Essa expectativa, segundo Pondé, entra em conflito com a experiência histórica, já que avanços políticos ocorrem de forma desigual e não se mantêm necessariamente ao longo do tempo. Ele também avaliou o funcionamento da democracia moderna como uma espécie de Constituição mista, que combina instituições compostas por representantes e a participação popular por meio das eleições.
Confira na íntegra:
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