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Cientista política analisa avanço evangélico na política e mudança de perfil do eleitorado
Pesquisadora aponta aproximação de parte dos evangélicos com a direita e destaca ampliação das pautas defendidas pela bancada no Congresso

Foto: Reprodução/Youtube
A divisão do eleitorado evangélico e a aproximação de parte desse segmento com a direita foram analisadas pela cientista política Carô Evangelista, pesquisadora e diretora executiva do Instituto de Estudos da Religião (ISER), em entrevista à Rádio Metropole nesta sexta-feira (28). Segundo ela, pesquisas qualitativas mostram que a identificação com determinadas candidaturas teve peso maior na escolha desse eleitorado.
Na avaliação de Carô, a candidatura de Jair Bolsonaro conseguiu concentrar diferentes insatisfações e demandas sociais e se apresentar como uma alternativa de mudança. “A candidatura de Bolsonaro reuniu uma representação de todas as insatisfações e demandas e foi escolhido como representante que faria a mudança.”
Sobre os movimentos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para se aproximar do público evangélico, a cientista política destacou que o diálogo não deve ser tratado como uma estratégia voltada exclusivamente a um segmento. Para ela, conversar com o campo evangélico significa também dialogar com uma parcela significativa da população brasileira, especialmente por sua presença na base da pirâmide social.
Carô afirmou ainda que as lideranças religiosas exercem papel importante na mediação política e social e que o diálogo com grandes lideranças, responsáveis por apresentar demandas políticas, não é uma novidade. Segundo ela, esses grupos já apoiaram Lula em outros momentos, mas mudam suas posições de acordo com as negociações e demandas apresentadas.
No Congresso, a pesquisadora destacou que o Instituto de Estudos da Religião realiza monitoramento mensal das pautas apresentadas, especialmente por candidaturas religiosas. Ela ressaltou que não são apenas parlamentares evangélicos que mobilizam a identidade religiosa em campanhas e mandatos e lembrou que a Frente Parlamentar Evangélica reúne parlamentares evangélicos e católicos.
De acordo com Carô, a atuação desse grupo também deixou de se concentrar apenas na chamada agenda de costumes. Entre as pautas acompanhadas estão questões relacionadas à educação e ao controle moral sobre o que é ensinado na rede pública. Embora muitas propostas ainda não tenham resultado em mudanças efetivas nas leis ou em programas, ela observa um aumento no número de projetos apresentados pela bancada.
A cientista política também apontou que a Frente Parlamentar Evangélica tem estabelecido alianças com parlamentares que não são religiosos, mas estão mais próximos do campo ultraconservador. Segundo ela, essas articulações não significam necessariamente que as propostas estejam sendo aprovadas, mas demonstram uma tentativa cada vez maior de colocar essas pautas em discussão no Congresso.
Confira na íntegra:
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