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“A maternidade engole a mulher”, diz psicanalista ao analisar sobrecarga das mães solo

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“A maternidade engole a mulher”, diz psicanalista ao analisar sobrecarga das mães solo

Sheyna Cruz falou sobre as dificuldades da criação de filhos quando apenas um dos pais está em cena

“A maternidade engole a mulher”, diz psicanalista ao analisar sobrecarga das mães solo

Foto: Fernanda Vilas/Metropress

Por: Metro1 no dia 01 de setembro de 2026 às 17:34

Atualizado: no dia 01 de setembro de 2026 às 18:42

A psicanalista especializada em psicopatologia da infância e da adolescência, Sheyna Cruz, abordou os desafios enfrentados por famílias monoparentais e a sobrecarga da maternidade solo no Metropole Mais desta terça-feira (1º). 

Para Sheyna, o papel da mulher na sociedade ainda é associado quase que exclusivamente ao cuidado, o que torna difícil para mulheres que também são mães se desvincularem dessa imagem sem julgamentos, especialmente para mães-solo: “Parece que a maternidade engole a mulher, se ela anda bem arrumada, as pessoas desconfiam que ela não seja uma boa mãe”, disse.

A psicanalista ainda chama a atenção para os casos onde o pai está presente mas não é ativo na criação, então mesmo com um parceiro a mulher sente uma sobrecarga: “Eu acompanho mulheres que dizem que não sabem mais que cor gostam ou de que prato de comida preferem. Mas nem sempre é fácil abrir mão desse lugar, gera a dúvida de ‘não sendo isso o que eu vou ser?”, indaga.  

Sheyna reforçou que existem “funções” na família, e o que muitas pessoas chamam de "ser pai e mãe ao mesmo tempo", na verdade, não existe: “Pai é pai e mãe é mãe. Essas funções podem existir num lugar que não é a biológica, como no caso de dois pais e duas mães, ou quando outro membro da família cumpre esse papel, mas existe a função paternal e a função maternal. Todo mundo teve pai e todo mundo teve mãe. É impossível suprir a ausência do outro parente”, defendeu. Ela acrescenta que essa busca é feita pela própria criança, que procura essas figuras ao redor do ciclo de convivência. 

A especialista destacou ainda a importância de preservar a autonomia dos filhos desde pequenos, e não fomentar o que seria uma “relação simbiótica” entre a mãe e a criança: “A mãe tem que se fazer desnecessária, se ela sempre antecipa o que a criança quer, ela não abre espaço para a criança se desenvolver, se sentir útil. Isso não é negligência”, afirmou

Confira a entrevista na íntegra: