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“As tecnologias não são neutras”, afirma Nina Santos sobre vantagem da extrema direita nas redes

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“As tecnologias não são neutras”, afirma Nina Santos sobre vantagem da extrema direita nas redes

Pesquisadora destacou como algoritmos e novas formas de organização digital favorecem grupos de direita e impõem desafios à esquerda

“As tecnologias não são neutras”, afirma Nina Santos sobre vantagem da extrema direita nas redes

Foto: Daniel Antônio/Agência FAPESP

Por: Metro1 no dia 01 de setembro de 2026 às 18:58

A professora, pesquisadora e especialista em políticas digitais Nina Santos afirmou, durante entrevista ao Jornal da Cidade desta terça-feira (1º), que a dinâmica das redes sociais tem favorecido principalmente partidos e movimentos de extrema direita. Segundo ela, parte desse cenário está relacionada à própria estrutura das plataformas. “As tecnologias, elas não são neutras”, declarou.

Para Nina, as redes funcionam a partir de mecanismos de engajamento, sociabilidade e recomendações algorítmicas que determinam quais conteúdos ganham maior visibilidade. “A gente conhece muito pouco como é que essa recomendação é feita”, afirmou. A pesquisadora comparou o funcionamento das plataformas ao de um supermercado, no qual a disposição dos produtos define aquilo que chama mais atenção do consumidor. 

A especialista também apontou que a vantagem da extrema direita não está apenas nos algoritmos, mas na forma como esses grupos se organizam. Segundo ela, as novas organizações do campo são “muito mais horizontalizadas” e “muito mais digitalizadas”, embora continuem contando com lideranças bem definidas. Para Nina, essa estrutura se mostra mais adaptada à dinâmica das plataformas digitais.

A pesquisadora também avaliou que a esquerda mantém modelos de organização mais tradicionais, ligados aos territórios, à capilaridade e à verticalidade. “Essas lógicas da esquerda, por um lado, elas são muito mais presentes no dia a dia das pessoas, têm muito mais história, têm muito mais raiz, por outro lado, elas têm muito mais dificuldade de se adaptar a essa lógica do digital”, afirmou.

Acompanhe a entrevista na íntegra: