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“Medida não teria prosperado em outro momento”, diz jornalista do ICL sobre proibição das bets

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“Medida não teria prosperado em outro momento”, diz jornalista do ICL sobre proibição das bets

Igor Mello afirma que pressão da opinião pública criou uma “janela” para o governo adotar a medida contra as apostas

“Medida não teria prosperado em outro momento”, diz jornalista do ICL sobre proibição das bets

Foto: Reprodução/Youtube

Por: Metro1 no dia 29 de setembro de 2026 às 09:31

O jornalista do Núcleo Investigativo do ICL Notícias, Igor Mello, afirmou nesta terça-feira (29), em entrevista à Rádio Metropole, que a medida provisória anunciada pelo governo Lula para encerrar as operações das bets não teria avançado em outro momento. Na avaliação dele, o período eleitoral criou uma oportunidade para que políticos se tornassem mais sensíveis à pressão da opinião pública sobre o tema.

Segundo Mello, a população já demonstrava oposição às apostas, mas os efeitos eleitorais aumentaram a pressão sobre os políticos. “Me parece que a única janela para tomar essa medida é o período eleitoral, porque está acontecendo o que era esperado acontecer: a população já demonstrou ser contra e só nesse momento que os políticos se tornam mais permeáveis à opinião pública, porque isso tira voto”, afirmou.

O jornalista disse que o ICL mantém posição contrária às bets desde que o fenômeno ganhou força no Brasil e criticou a influência do setor no Congresso. “Temos um Congresso cooptado pelas bets; tanto que temos a expressão bancada das bets. É um absurdo, mas existe. Tem dezenas de deputados e senadores que atuam em prol dos interesses das bets”, declarou.

Na avaliação de Mello, os impactos das apostas atingem a economia e a saúde pública. Ele afirmou que estudos apontam que as bets retiraram mais de R$ 60 bilhões da economia brasileira apenas em 2025 e citou uma “epidemia de vício em apostas”. Para ele, o cenário brasileiro é agravado pela ampla utilização do Pix, pela digitalização e pelo acesso generalizado a pagamentos instantâneos.

Mello também apontou a publicidade das bets como um dos fatores que contribuíram para a adoção da medida. Ele citou a enxurrada de anúncios durante a Copa e afirmou ter feito um mapeamento das apostas sugeridas pela CazéTV, emissora que transmitiu todos os jogos da competição, segundo o qual os apostadores perderam 61% das apostas analisadas. “Foi a gota d'água e está culminando nessa medida agora”, disse. Segundo ele, as estimativas de gastos das bets com publicidade chegam a R$ 3 bilhões e o setor deveria explicar por que investe valores tão altos na divulgação.

Confira na íntegra: