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Odilon Wagner e Marcello Airoldi discutem fé e ateísmo em ‘A Última Sessão de Freud’, que chega a Salvador
Em entrevista ao Jornal da Metropole no Ar, os atores falaram sobre o encontro entre Freud e C.S. Lewis e a atualidade dos temas discutidos na montagem

Foto: Metropress/Taís Lisboa
A capacidade de pessoas que pensam de formas completamente diferentes conversarem sem transformar a divergência em violência é um dos principais temas de “A Última Sessão de Freud”, segundo os atores Odilon Wagner e Marcello Airoldi. Nesta quinta-feira (8), em entrevista ao Jornal da Metropole no Ar, da Rádio Metropole, os atores destacaram que o encontro fictício entre Freud e C.S. Lewis, ambientado em 1939, continua atual porque aborda questões que permanecem no centro dos conflitos do mundo, como religião, guerras, fé e o uso político do cristianismo. A peça está em cartaz em Salvador até domingo (11), no Teatro Sesc Casa do Comércio. As sessões acontecem às 20h desta quinta (8) a sábado (10) e às 17h no domingo (11).
Odilon Wagner, que interpreta Freud, explicou que a peça coloca frente a frente um ateu e um homem que deixou o ateísmo para se tornar um dos grandes defensores do cristianismo. Para ele, apesar das diferenças profundas, os personagens conseguem discutir suas ideias com humor, ironia e momentos de maior intensidade sem perder o respeito. “A gente percebe que são dois homens que pensam completamente diferentes, mas que não só respeitam um ao outro o seu pensamento, mas diferente do que a gente vê hoje em dia, é que não pode se transformar em ideia de diferença, e se transformar em violência. Aí vira uma barbárie”, explicou Airoldi.
Um encontro de 1939 no mundo atual
A história se passa em 3 de setembro de 1939, quando a Segunda Guerra Mundial começava, e coloca Freud e Lewis para discutir Deus, religião, morte, vida após a morte, sexualidade e o sentido da existência. Odilon avaliou que esses assuntos ajudam a explicar por que a peça continua encontrando identificação no público. Segundo ele, guerras ainda acontecem, a religião continua sendo usada politicamente e os debates sobre fé permanecem presentes. “E o mundo é um antes de Sigmund Freud, e outro depois dele, por conta do subconsciente. Então os temas são muito contemporâneos, e eu acho que é por isso também que a gente fala que toca tanto o público”, disse Airoldi.
Marcello Airoldi, que interpreta C.S. Lewis, ainda afirmou que a atualidade da montagem também está na possibilidade de o público acreditar naquele encontro e acompanhar o conflito entre os personagens como uma experiência presente. O ator explicou que sua interpretação não procura simplesmente reproduzir quem foi Lewis, mas construir o personagem a partir do texto e da relação estabelecida com Freud em cena. “O teatro é mágico por isso. Não é uma imitação. É uma interpretação”, apontou.
Quem ganha o debate?
Para os atores, a peça não tenta definir qual dos dois pensamentos está correto. A proposta é colocar ideias diferentes em confronto e permitir que o público tire suas próprias conclusões. Odilon resume essa intenção ao dizer que “Quem é que ganha esse embate entre o Lewis e o Freud? Não tem vencedor, quem ganha é o público, que sai de lá com um pensamento”, apontou Odilon. A montagem já soma mais de 430 apresentações e se aproxima de 200 mil espectadores.
Confira a entrevista na íntegra:
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