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“A inteligência artifical só enxerga o coletivo, e nunca o individual”; alerta psicóloga
Ana Paula Nunes destaca o perigo do uso da IA para substituir o tratamento terapêutico

Foto: Reprodução/Youtube/Portal Metro1
“Um dos principais limites da inteligência artificial, é enxergar o coletivo ao invés do individual”, é assim que pensa a psicóloga Ana Paula Nunes. Em entrevista ao programa Metropole Mais desta quinta-feira (8), ela afirmou que o uso de ferramentas de IA como substituição do tratamento psicológico é “extremamente perigoso”, especialmente para pessoas com quadros mais graves ainda não diagnosticados, como a psicose.
Segundo a especialista, a IA tende a validar tudo o que o usuário diz, sem confrontá-lo, o que prejudica a autocrítica: “Algumas crenças distorcidas podem ser reforçadas até o ponto em que a pessoa acredita que tudo o que faz está certo. Na vida real, não é assim. As discordâncias fazem parte de todos os ambientes”, alertou, mencionando o risco de enrijecimento psicológico, ou seja, quando o indivíduo é incapaz de suportar linhas de pensamento diferentes da própria.
Ana Paula comparou a ferramenta a um “afago emocional”, que não faz juízo de realidade. Ela acrescenta que nuances da comunicação, principalmente da linguagem não verbal, como o silêncio, não podem ser captadas pela tecnologia, mas que também fazem parte do processo de análise terapêutica.
A IA pode ajudar, segundo ela, a informar sobre os sintomas de um estresse agudo, por exemplo. O tratamento, a intervenção e os elementos essenciais da relação terapêutica, porém, não podem ser substituídos pela máquina.
A doutora também chamou atenção para o risco de dependência: “Além de oferecer um diálogo interminável, a plataforma estimula a busca constante por esse tipo de interação. A terapia, ao contrário, é baseada na autonomia, para que, em algum momento, o paciente possa seguir sem o profissional”, explica.
Ana Paula é pesquisadora do Centro de Inovação e Pesquisa em Saúde Mental da Universidade de São Paulo (Cism/USP), que desenvolve um estudo sobre intervenção psicológica digital por meio de um chatbot no WhatsApp. O objetivo é oferecer uma base estruturada para ampliar o acesso à saúde mental, sem excluir a intervenção terapêutica.
De acordo com a pesquisadora, pessoas que moram longe de serviços especializados precisam apenas de um celular para acessar a ferramenta. Ela destacou que o usuário deve saber que participa de uma intervenção segura, com dados protegidos por camadas de segurança e armazenados de forma responsável. Para Ana Paula, a confiança é o principal pilar de ambos os processos, tanto o mediado pela tecnologia, quanto o gerido por um profissional.
Confira a entrevista na íntegra:
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