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Raymundo Paraná alerta para médicos despreparados e riscos para os pacientes
Médico alerta para os efeitos de uma preparação insuficiente sobre pacientes, hospitais e planos de saúde

Foto: Reprodução/Youtube
A expansão acelerada dos cursos de medicina, a formação insuficiente de profissionais e a busca por retorno financeiro imediato estão entre os fatores que preocupam o médico e professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA) Raymundo Paraná. Durante entrevista ao Jornal da Bahia no Ar, nesta sexta-feira (23), ele criticou a falta de controle sobre a qualidade do ensino médico e alertou para os riscos de profissionais despreparados atenderem pacientes sem a capacitação necessária.
“Um professor de medicina você não compra no mercado, você forma esse indivíduo. Ele faz mestrado, ele tem que entender de pedagogia, ele é um paradigma”, afirmou Paraná. Para o médico, a formação universitária vai além da obtenção do diploma e exige preparo técnico, estudo e referências profissionais capazes de orientar a relação entre médicos e pacientes.
O professor também relacionou o alto custo das faculdades particulares ao endividamento de recém-formados, que, segundo ele, podem priorizar a renda imediata em vez de investir na residência médica e na especialização. Nesse contexto, criticou o uso das redes sociais por profissionais que se apresentam como especialistas sem possuir a qualificação necessária e utilizam a divulgação digital para atrair pacientes.
Paraná ainda questionou a qualidade dos atendimentos realizados em ritmo acelerado e citou o caso de uma médica recém-formada que comemorou ter atendido 32 pessoas em um único dia. Para ele, consultas adequadas exigem tempo para ouvir o paciente, realizar o exame físico e construir um raciocínio clínico consistente. A ausência desses cuidados pode resultar em pedidos excessivos de exames e encaminhamentos desnecessários para serviços de média e alta complexidade.
Na avaliação do médico, as falhas na formação e na conduta profissional prejudicam tanto os pacientes quanto o sistema de saúde, público e privado. Ele defendeu maior controle sobre os cursos de medicina e afirmou que o Sistema Único de Saúde (SUS) precisa ser protegido de mudanças de governo para manter sua continuidade como política de Estado. Paraná também alertou para práticas antiéticas, como conflitos de interesse relacionados à prescrição de exames e procedimentos, e questionou quem fiscaliza a qualidade dos profissionais que chegam ao mercado.
Confira entrevista na íntegra:
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