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"É impossível definir 'quem mentiu mais' num debate presidencial"; afirma jornalista do Aos Fatos
Marcela Duarte explica como é feita a verificação de informações na agência e por que é tão difícil medir quem falou mais verdades entre dois candidatos

Foto: Reprodução/Youtube/Portal Metro1
O Aos Fatos é uma agência de checagem que integra a Rede Internacional de Checadores. Em entrevista ao Jornal da Cidade, Marcela Duarte, jornalista do veículo, detalha como ele atua, principalmente em meio às discussões sobre a necessidade de checagem de fatos durante os debates presidenciais.
Marcela conta que a agência responde a um código de princípios, estabelecido pela European Fact-Checking Standards Network (EFCSN): “Passamos por uma auditoria anual onde temos que comprovar que uma série de regras estão sendo seguidas, como que não há filiação partidária, por exemplo”, contou.
Para caracterizar as informações analisadas, são utilizadas três tipos de etiquetas: “verdadeiro”, “falso” e “não é bem assim”. Marcela explica, no entanto, que nem tudo é checado: “Tentamos interferir no debate público o mínimo possível, apenas quando realmente há um risco, então não são todos os debates que são checados. Opiniões e previsões de futuro, por exemplo, não fazemos checagem”. Ela conta que a pergunta norteadora para escolher o que passará por verificação é: o que mais está provocando um ruído?
Ao fazer a checagem em tempo real do que é dito no debate presidencial, é utilizada a ferramenta de inteligência artificial “Scribba”, que faz a transcrição ao vivo: “Transcrevemos, em cima vamos marcando as frases que são checáveis e verificamos o que já existe no nosso banco de dados”, afirmou a jornalista. Apesar do uso de IA, ela garante que toda checagem, após ser escrita por um repórter, passa ainda por dois editores: “Ela só vai pro ar quando passou no mínimo por três pessoas. Antes de ir pras redes sociais, passa pelo menos por cinco”.
Marcela defende que quando uma desinformação é proferida, a checagem precisa ser feita o mais rápido possível: “O conteúdo desinformativo pode ganhar uma forte tração, por isso precisamos tentar estancar o máximo possível o alcance daquilo. Ela gera engajamento porque às vezes a desinformação tem um vínculo emocional, pode ser algo que a gente quer ver ou nos gera raiva”. exemplificou.
A jornalista afirma que é impossível fazer um “placar” entre dois candidatos, como definir “quem mentiu mais” e “quem mentiu menos”, já que o processo não é preto e branco: “Podemos ter um candidato que vai ter 10 falsos, porque errou um número, ou inflou, e o outro candidato teve 5 falsos, mas que traz uma narrativa golpista, por exemplo. É uma falsa isonomia. As coisas tem nuances, por isso nos concentramos nas análises qualitativas, não quantitativas”. Além das checagens, o Aos Fatos também publica reportagens explicativas sobre assuntos do debate público.
Confira a entrevista na íntegra:
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