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“O papel dos adultos é ajudar as crianças a desenvolverem suas habilidades”; afirma orientadora educacional do Colégio Montessoriano
Dione Mota defende que pais expliquem decisões, acolham birras sem ceder e acompanhem o uso do celular, indicado só a partir dos 12 anos

Foto: Fernanda Vilas/Metropress
“Ajude-me a fazer sozinho”, essa frase da pedagogia montessoriana é o mantra de Dione Mota, orientadora educacional do Colégio Montessoriano. Em entrevista ao Metropole Mais desta terça-feira (3) refletiu acerca dos malefícios da superproteção das crianças e sobre a importância de dar espaço ao desenvolvimento autônomo: “É preciso pensar no que realmente a criança precisa. Nosso papel é ajudar a desenvolver as principais habilidades”, disse.
Segundo Mota, é preciso observar e intervir apenas quando necessário: “Eu sei que meu filho está pronto para uma certa responsabilidade quando eu vejo que ele está pronto". Ela afirma que as crianças indicam sinais, e que, ao invés da proibição irrestrita ou de realizar a ação pela criança, os pais e responsáveis devem aproveitar as oportunidades para explicar o porquê das decisões que tomam: “Toda criança quer saber o porquê de tudo”, afirmou a profissional.
A respeito das “birras”, a orientadora defende que esse processo pede acolhimento, já que ele ocorre por conta de algo que os próprios adultos não entendem: “É preciso entender o que passa na cabeça da criança naquele momento. Não posso fingir que a birra não existe, nem tratar de forma agressiva”, explicou. Para ela, não é necessário ceder sempre diante das birras: “Não há ser humano na vida que não tenha passado por frustrações. As crianças podem e vão lidar com isso. Isso gera adultos que sabem lidar com adversidades. Não se trata de sofrer para aprender, e sim de um processo de aprendizagem”, sustentou Mota.
Outra ferramenta que não resolve um cenário de birra, segundo a educadora, é o celular: Birra se resolve com escuta ativa e busca de soluções. O celular não deve estar na mão de uma criança, ela não tem a capacidade para fazer esse uso”, defendeu. Ela afirma que o acesso precoce aos celulares interfere nas relações, sendo 12 anos a idade ideal para a introdução desse aparelho, quando a criança já tem uma noção consolidada do que é certo e errado: “Ainda assim, é preciso fiscalizar. Liberdade vigiada não é sobre limitar, é sobre acompanhar”, esclareceu.
No dia 28 de outubro, um menino de 2 anos faleceu em Goiânia após ter sido deixado dentro do carro enquanto cochilava. Sobre isso, Dione Mota destaca que, em hipótese alguma, crianças podem ser deixadas sozinhas. É preciso supervisão constante: “Ter uma criança conosco é ter que interagir com ela, acompanhá-la 24 horas por dia, ela não pode nunca ser deixada sozinha”, disse.
Confira a entrevista na íntegra:
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