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Saúde

Covid-19: 'Vamos ter o janeiro mais triste de nossas vidas', avalia Margareth Dalcolmo

Pneumologista avaliou que estratégia do governo brasileiro para negociar vacina da Pfizer é 'patética'

[Covid-19: 'Vamos ter o janeiro mais triste de nossas vidas', avalia Margareth Dalcolmo]
Foto : Metropress

Por Matheus Simoni no dia 08 de Janeiro de 2021 ⋅ 13:04

A pneumologista e pesquisadora da Fiocruz, Margareth Dalcolmo, avaliou o crescimento cada vez maior da pandemia de coronavírus logo no primeiro mês de 2021. Em entrevista a Mário Kertész hoje (8), durante o Jornal da Metrópole no Ar da Rádio Metrópole, ela comentou que há uma série de indicativos que mostram o país terá "o janeiro mais triste" dos últimos tempos.

"Eu gostaria muito de estar errada. Mas tudo indica que, estamos no dia 8, e não estou errada. A situação é muito grave. Tivemos um recrudescimento importante no número de casos. Uma segunda se materializando em várias áreas do Brasil, a começar pelo Norte. A situação é bem dramática como sabemos. Não tenho dúvida. A situação no Rio de Janeiro é muito grave em termos de transmissão. A cepa mutada, que não é mais grave, mas é mais transmissiva, já circula entre nós em todas as áreas urbanas, de modo que nós vemos com grande preocupação o momento atual. Não há dúvida", disse a especialista.

Ainda segundo Dalcomo, há uma série de ações praticadas por lideranças políticas que trazem desinformação durante a pandemia da Covid-19. "Não há dúvida que houve um recrudescimento, uma taxa de casos graves internados e de gente mais jovem. Todo mundo foi para a rua, foram feitas festas, celebrações e tudo o que dissemos que não era para ser feito. Continuamos a conviver com essa dicotomia entre o que nós dizemos e algumas autoridades, que prestam um desserviço enorme ao Brasil, dizem. Isso confunde a opinião pública, aumenta a onipotência dos mais jovens e assim vamos. O resultado é muito preocupante", afirmou.

Questionada sobre a vacinação e as negociações do governo brasileiro para tentar viabilizar imunizantes ao país, Margareth Dalcomo reclamou que o Ministério da Saúde perdeu o "timing". "Essas encomendas estão feitas há meses. O Canadá, por exemplo, tem cinco doses de vacina para cada habitante, não é porque o Canadá deixou para última hora. Ele está negociando há meses com os fabricantes. O que vai acontecer é que países como o Canadá vão doar os seus excedentes para o sistema Covax, que vai distribuir para os países mais pobres. O Brasil não faz parte desta lista, como todos nós sabemos. Somos a oitava economia do mundo, não precisávamos estar nesta situação", declarou a pneumologista.

"É patético ouvir que a Pfizer vai negociar 500 mil doses num país do tamanho do Brasil, como também considero equivocado dizer que o Brasil não pode ter a vacina da Pfizer porque não temos freezer a -80ºC. Se eu for a Salvador, na Bahia, hoje, eu vou contar não sei quantos freezer a -80 existem em instituições públicas e privadas", acrescentou.

"Quem vai salvar o Brasil, de novo, são nossas grandes instituições públicas. A Fiocruz e o Butantan, que são instituições que têm condição de fabricar milhões e milhões de vacinas para vacinar toda nossa gente", finalizou.

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