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Sábado, 08 de maio de 2021

Saúde

Estigma sobre doenças mentais é alimentado por governo e sociedade, diz psiquiatra

Em entrevista à Rádio Metrópole, Rosa Garcia ainda avaliou os efeitos da pandemia na saúde mental da população: "Pessoas que nunca tomaram medicação estão tomando"

Estigma sobre doenças mentais é alimentado por governo e sociedade, diz psiquiatra

Foto: Metropress

Por: Juliana Rodrigues no dia 20 de janeiro de 2021 às 08:58

A prova de redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2020, realizada no último domingo (17), convidou os estudantes a pensar sobre saúde mental, com o tema "O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira". Em entrevista à Rádio Metrópole, na manhã de hoje (20), a professora e psiquiatra Rosa Garcia Lima classificou a escolha do tema como positiva. Ela ressaltou, no entanto, que governo e sociedade contribuem para estigmatizar a população que sofre de algum transtorno mental.

"Há duas gestões, a Associação Brasileira de Psiquiatria vem dando prioridade a esse tema: o estigma na doença mental e seus reflexos na sociedade. Tivemos há pouco tempo do governo federal uma insinuação que depois a sociedade bateu forte, que não ia permitir mais a inclusão de crianças e adultos especiais nas escolas normais. O próprio governo tem o estigma da doença. Se você não permite que uma criança, por ser especial, frequente uma escola que é de crianças não especiais, você mesmo está estigmatizando", disse.

Para a psiquiatra, o comportamento das famílias diante da questão também contribui negativamente. "Uma grande parte das famílias não aceita, nega a situação. Negam inclusive a doença. Quando a criança, por exemplo, começa a apresentar sintomas, eles se defendem dizendo que é falta de educação, ou muito mimo, ou é do temperamento, e não querem ver a doença mental. A doença mental é rejeitada, é muito negada. As próprias famílias fazem isso. Quando têm um paciente, eles negam", pontuou. 

A psiquiatra também avaliou os efeitos da pandemia de Covid-19 na saúde mental da população, tomando como base os próprios pacientes: "Todos os pacientes têm queixas em relação à pandemia. Nós comparamos muito a pandemia com a guerra, mas acho que é diferente, porque o que se diz é que em época de guerra você não vê tanta neurose, tanta dependência de assistência, porque o objetivo do indivíduo é sobreviver. (...) Na pandemia, a luta é só se resguardar pra não pegar o vírus. A gente vê mais a neurose pós-estresse, devido ao trauma do isolamento, você ficar sem se comunicar com ninguém, a não ser por telefone, WhatsApp etc. Fica você com você mesmo, voltado pra dentro, e aí vem toda essa situação de desconforto. Pessoas que nunca tomaram medicação estão tomando".

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