Saúde
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Na avaliação de cientista, faltou uma união mundial para atuar no combate ao coronavírus

Foto: Metropress
O neurocientista, biólogo, professor titular e vice-diretor do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Sidarta Ribeiro, comentou o atual momento da pandemia de coronavírus, com alta de casos e uma possível terceira onda da Covid-19 em Manaus, uma das capitais mais atingidas pela doenças. Em entrevista a Mário Kertész hoje (12), durante o Jornal da Bahia no Ar da Rádio Metrópole, ele afirmou que faltou ao mundo todo um combate unificado contra o vírus.
"Se fosse combatida de maneira uníssona no planeta, nós não estaríamos na situação muito complicada em que estamos. Se você entrar agora no Google e colocar 'mortes por Covid no planeta', vai aparecer uma curva que qualquer pessoa, não precisa ser cientista, médico, professor, jornalista ou uma pessoa que lida com fatos e números. Basta olhar para a curva e todo mundo vai perceber que nunca estivemos tão mal num nível global. Ou seja, a pandemia está longe de estar debelada", declarou Sidarta.
Ainda segundo o cientista, a forma como a população lidou com as medidas sanitárias não foi a mais adequada e só agravou a situação do vírus. De acordo com ele, as vacinas podem não ter a eficácia necessária para atuar contra as novas variantes do coronavírus. "Qualquer pessoa que teve a experiência de tomar antibiótico por menos tempo do que o que está escrito na bula, deve ter tido a ingrata surpresa de perceber uma volta da infecção por uma cepa resistentes. Isso é um fenômeno bem conhecido da microbiologia. No caso específico de SARS-COV-2, já são três variantes pelo menos. Uma é verde e amarela, saiu de Manaus, e as vacinas não são igualmente eficazes para todas as variantes", afirmou.
"O Ocidente ficou rindo do Oriente e rindo sobre o uso de máscara. Quando vimos, o Ocidente foi muito mais afetado pelo vírus do que o Oriente. A gente não se uniu entre hemisférios, Norte e Sul, ricos não se uniram com os pobres, os brancos não se uniram com os pretos, homens não se uniram com as mulheres na pandemia e estamos vivendo uma Torre de Babel com jeitão de Armageddom", classificou.
Sidarta Ribeiro avaliou como o governo brasileiro reagiu à pandemia e afirmou que a ineficiência do governo não seria vista em gestões anteriores. "Não consigo imaginar no governo Geisel a irresponsabilidade. Uma coisa é ser direita, esquerda, pobre ou rico. Essas variações na sociedade sempre existiram. Agora, essa incapacidade de funcionar como grupo, independente das cores político-partidárias, isso me assombra e me dá medo. Como diz a Natália Pasternak outro dia, a gente ainda pode dar um jeito do vírus ganhar. Quando mais a pandemia fica pior, mais as pessoas se acostumam à pandemia. A gente tem uma coisa muito louca que é a situação objetiva piorando e os cuidados que as pessoas tomam diminuindo", disse o neurocientista.
O cientista ainda pontuou a preocupação diante do surgimento de novas cepas do coronavírus em diferentes locais do mundo. "Está caminhando para uma seleção constante de mutantes mais transmissíveis. Está caminhando para a vacina não servir para cada nova cepa e as cepas ficarem mais transmissíveis, se espalhando mais rápido. É um cenário de pesadelo. 'Ah, você está sendo alarmista'. Não acho, basta olhar a quantidade de mortos no mundo. A gente não está reagindo com inteligência. Está reagindo com emoção. Quer porque quer, como crianças, que volte a ser como antes. As pessoas estão nos bares, conversando animadamente, sem máscara e achando graça", declarou.
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