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Saúde

'O ar que me falta': escritor narra experiência pessoal com a depressão

Luiz Schwarcz falou do impacto do nazismo em sua família e como a doença o afetou

['O ar que me falta': escritor narra experiência pessoal com a depressão ]
Foto : Metropress

Por Matheus Simoni no dia 02 de Março de 2021 ⋅ 14:34

O escritor e presidente do Grupo Companhia das Letras, Luiz Schwarcz, narra em “O Ar que me Falta”, cujo título é inspirado por um dos sintomas de episódios depressivos, a época de sua infância e como a depressão o afetou profundamente. Ele cita as memórias familiares do avô húngaro enviado a um campo de concentração na época da Segunda Guerra Mundial. A experiência também relembra os relatos do pai, André, que conseguiu escapar do holocausto e conseguiu migrar para o Brasil. Luiz foi entrevistado por Mário Kertész e Malu Fontes no Jornal da Metrópole no Ar da Rádio Metrópole de hoje (2).

"Meu pai e minha família, tanto paterna principalmente mas a materna também, tiveram vidas aventurosas para escapar do holocausto para vir ao Brasil e construir a vida. Mas passaram por situações complicadas. Durante muito tempo, meu pai era um homem muito deprimido e sentimento de culpa muito grande. Ele conseguiu fugir do trem que o levava para o campo de concentração de Bergen-Belsen, junto com seu pai que lá morreu", conta. "Essa culpa o afligiu por toda a vida. Passei muitos anos pensando em contar essa história do meu pai até perceber que era melhor contar a história deles por minha história. Tive uma depressão muito forte em 1999 e ainda tomo cuidados", acrescenta Schwarcz. 

Luiz Schwarcz afirmou que uma das evidências de que a depressão é uma das marcas que atingem do povo judeu é a sequência de traumas vividos ao longo do tempo. "O povo judeu tem um histórico de perseguição. Esses traumas geram depressão. A depressão passa geneticamente, mas não é a única forma. Não acredito que meu pai era deprimido antes desse episódio, da culpa que sobreveio do que aconteceu. A enorme insônia que passou a ter, não conseguia dormir e batia os pés na cama. Conversei com alguns especialistas que diziam que o trauma é formador de depressão. Depois passou para mim, por isso e por alguns outros gatilhos de minha vida de filho único", afirma. 

Ao recuperar com franqueza estas memórias, Luiz Schwarcz relata como a depressão e os traumas, próprios e de terceiros, podem tirar o fôlego de qualquer pessoa. "Tem uma questão temporal importante. Quando tive uma crise ao esquiar pela primeira vez com minhas netas nas montanhas, onde é sinônimo de paz. De repente, lá no alto, vou fazer a pista mais longa e minha garganta trava. Foi em janeiro do ano passado, já curado da depressão. Não foi um episódio gravíssimo. A depressão está aí, é minha companheira não muito desejada, mas está aí para o resto da vida", disse o escritor. 

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