
Saúde
Reprovados no Enamed: estudantes de medicina erram questões básicas
Perguntas abordavam temas como diagnóstico de dengue, cefaleia e prescrição de medicamentos

Foto: Freepik
O desempenho insuficiente de mais de 30% dos cursos de medicina do Brasil no Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica) de 2025 tem gerado debates sobre a qualidade do ensino médico no país. Esse cenário se torna ainda mais preocupante quando as questões que os estudantes reprovados são analisadas. Consideradas básicas, as perguntas abordavam temas como diagnóstico de dengue, cefaleia e prescrição de medicamentos.
De acordo com informações do relatório do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), divulgadas pelo Fantástico no último domingo, uma das questões, considerada fácil pela autarquia, perguntava o que o médico deve fazer diante de sintomas graves de dengue, como febre, dores intensas e vômitos fora de controle. Daqueles que reprovaram no exame, 66% erraram essa resposta.
Outro enunciado descrevia uma mulher de 55 anos, sem histórico de doenças crônicas, com dor persistente dos dois lados da cabeça, alterações da visão e cansaço. A resposta correta era pedir um exame de sangue simples para identificar uma possível inflamação nos vasos sanguíneos. Entre os reprovados, 65% erraram a questão.
"Situação é dramática"
De acordo com o Médico Drauzio Varella, a situação mostra que o ensino é "ridícula". "A situação é dramática [...]. Faculdades que cobram, 15, 17 mil reais, e esse exame mostra que o ensino é ridiculo", afirmou em entrevista à Rádio Metropole. Ele reforça que médico despreparado é oneroso para o estado. "Médico despreparado custa caro pro sus e pra saude suplementar e para os planos de saude", explicou.
Ainda segundo o médico, é preciso criar uma forma de avaliar a qualidade das faculdades de forma periódica. "O certo é fazer um exame desses a cada dois anos - para todos os alunos - e você avalia. se for ruim interrompe vestibular. vc n pode admitir novos alunso se os que voce já tem n estão preparados".
O Hepatologista Dr Raymundo Paraná, também em entrevista à Rádio Metropole, fez um questionamento. "Apesar de o exame ser um “avanço inegável” do ponto de vista metodológico e pedagógico, as punições para notas baixas são brandas. O que vamos fazer com essas escolas insuficientes? Acham que elas vão mudar em um ano? Não vão."
Enamed
O Enamed foi feito por mais de 39 mil alunos do último ano. O resultado mostra que 351 cursos foram analisados, e 30% deles ficaram na faixa considerada insatisfatória. Além disso, segundo o Inep três em cada dez alunos prestes a se formar não alcançaram a nota mínima. O Conselho Federal de Medicina (CFM) estuda impedir que cerca de 13 mil estudantes de Medicina do último semestre que não atingiram a nota mínima no exame obtenham o registro profissional. A medida, se adotada, pode impedir que esses recém-formados atendam pacientes.
📲 Clique aqui para fazer parte do novo canal da Metropole no WhatsApp.

