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Brasil registra ao menos dois casos por dia de exercício ilegal da medicina; CFM lança canal de denúncias

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Brasil registra ao menos dois casos por dia de exercício ilegal da medicina; CFM lança canal de denúncias

Plataforma lançada pelo Conselho Federal de Medicina permitirá que médicos denunciem atendimentos feitos por profissionais sem habilitação em procedimentos exclusivos da categoria

Brasil registra ao menos dois casos por dia de exercício ilegal da medicina; CFM lança canal de denúncias

Foto: Reprodução/Freepik

Por: Metro1 no dia 28 de maio de 2026 às 14:41

O Conselho Federal de Medicina (CFM) lançou nesta quinta-feira (28) a plataforma Medicina Segura, criada para receber denúncias sobre casos de exercício ilegal da medicina no país. A iniciativa permitirá que médicos relatem atendimentos feitos por profissionais não habilitados em procedimentos que, por lei, são exclusivos da medicina.

Segundo o conselho, o objetivo é ampliar o combate à atuação irregular e fortalecer a responsabilização dos envolvidos. Dados reunidos pelo CFM apontam que, entre 2012 e 2023, foram registrados 9.566 casos de exercício ilegal da medicina no Brasil, com base em informações do Conselho Nacional de Justiça e boletins de ocorrência das polícias civis.

A entidade afirma que, atualmente, ao menos dois novos casos passam a tramitar diariamente na Justiça ou nas delegacias estaduais.

A plataforma vai encaminhar denúncias aos Conselhos Regionais de Medicina, que poderão acionar a Polícia Civil, o Ministério Público, a Vigilância Sanitária e o Procon para adoção de medidas legais.

O presidente do CFM, José Hiran Gallo, afirmou que a ferramenta atua em três frentes: conscientização, integração com órgãos públicos e criação de um canal direto para denúncias feitas por médicos.

A segunda vice-presidente do CFM e coordenadora do projeto, Rosylene Rocha, disse que a plataforma também ajudará a dimensionar o tamanho real do problema.

“O número de pacientes que passaram por procedimentos sem profissionais adequados é elevadíssimo. Os médicos vão preencher um formulário e vamos ter todos os dados. Nós tivemos casos no CFM de vítimas fazendo os próprios relatos”, afirmou.

Segundo Rocha, o conselho recebe semanalmente relatos de mortes ou sequelas graves relacionadas a procedimentos realizados por pessoas sem habilitação adequada.

“Esse alerta à população é importante pra que a população entenda que aquele profissional não está capacitado para realizar aquele tipo de procedimento. Muitos pacientes chegam às clínicas achando que aquele profissional é médico, está vestido com jaleco, tem à frente de seu nome a nomenclatura 'doutor'. E às vezes a própria população é enganada, achando que se trata de um médico e não é”, alertou.

A plataforma permitirá o registro de informações sobre o paciente, o procedimento realizado, o estabelecimento envolvido, possíveis afastamentos do trabalho e danos causados. Apenas médicos poderão cadastrar denúncias no sistema, enquanto pacientes poderão acompanhar o andamento dos casos.