Saúde

Consumo de álcool tem afetado o sono dos brasileiros, diz neurocientista

Em entrevista a Mário Kertész, na Rádio Metrópole, Sidarta Ribeiro falou sobre a importância dos sonhos enquanto "oráculos" da mente

[Consumo de álcool tem afetado o sono dos brasileiros, diz neurocientista]
Foto : Tácio Moreira / Metropress

Por Juliana Rodrigues no dia 28 de Maio de 2019 ⋅ 09:08

O neurocientista, professor, pesquisador e diretor da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Sidarta Ribeiro, comentou, hoje (28), em entrevista a Mário Kertész, na Rádio Metrópole, uma das descobertas do estudo realizado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) sobre o uso de drogas no país. A pesquisa, feita a pedido da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad), órgão ligado ao Ministério da Justiça, foi embargada pelo governo por apresentar suposto "viés ideológico", ao indicar que não há epidemia de drogas no país. Segundo o pesquisador, o estudo indica que o álcool é o principal motivo para preocupação, e seus impactos são sentidos também no sono.

"Temos uma pesquisa na Fiocruz, que está embargada pelo governo, que mostrou que nós temos uma epidemia de álcool, 30% da população faz consumo regular de álcool. O problema é que se a pessoa bebe todo dia, ela induz a entrada no sono, mas isso reduz o sono REM [Rapid Eye Movement], o sono mais profundo. Isso gera, evidentemente, questões compensatórias", explicou o pesquisador, que também se disse incrédulo com as decisões do governo em relação à ciência, classificadas por ele como "um pesadelo".

Presente em Salvador para o debate "Polêmicas Contemporâneas: Autonomia universitária e o desenvolvimento da Ciência brasileira", realizado ontem (27) na Universidade Federal da Bahia, Ribeiro lançará em junho o livro "O oráculo da mente", que "conta a história da evolução da consciência humana através dos sonhos", nas palavras do autor. Segundo o cientista, os sonhos são materiais "particularmente informativos" sobre a estrutura da mente de quem sonha, e podem servir como um "oráculo probabilístico". "A atividade elétrica passa nos caminhos neuronais e vai ativando memórias. Essas memórias vão sendo encadeadas de acordo com seus desejos e medos, como disse Freud. Eles vão dando a direção do sonho. Quando sua vida tem muitas coisas, 1500 probleminhas, o sonho fica meio confuso. Mas quando a sua vida tem um problemão, o sonho fica muito claro", disse.

Ainda segundo Ribeiro, é possível treinar a mente para determinar com o que sonhar, através de autosugestão, antes de dormir. "Isso foi feito ao longo da história humana quase o tempo todo. Quem parou de prestar atenção nos sonhos fomos nós, ocidentais, pós-industriais", afirmou.

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