Saúde

'Robô não transforma um médico em super médico', diz Lucas Batista

Vice-presidente Sociedade Brasileira de Urologia seccional Bahia (SBU-BA), Lucas Batista, fala sobre benefícios da técnica, mas pontua que experiência do cirurgião deve orientar resultado

['Robô não transforma um médico em super médico', diz Lucas Batista ]
Foto : Matheus Simoni/Metropress

Por Juliana Almirante no dia 18 de Novembro de 2019 ⋅ 09:37

O vice-presidente Sociedade Brasileira de Urologia seccional Bahia (SBU-BA), Lucas Batista, afirmou hoje (18), em entrevista à Rádio Metrópole, que a cirurgia robótica "revolucionou" o tratamento cirúrgico do câncer de próstata.

"É sempre bom falar que o resultado é o mesmo de qualquer técnica cirúrgica. O robô não cura mais que cirurgia aberta, apenas muda a técnica. Tem gente que operei bem em cirurgia aberta. Robô não transforma pessoa menos experiente em mais experiente, tem que ter a curva de aprendizado. Mas é muito mais confortável operar com robô e você consegue atingir resultados mais rapidamente, a continência urinária e a potência. O paciente consegue alcançar isso de não usar fralda mais cedo do que outras técnicas. Tem benefícios em relação a essa técnica também. Sem dúvidas, foi algo que revolucionou", disse o urologista.

Ele considera ainda que o robô não é capaz de transformar um médico em uma espécie de "super médico", já que a experiência do médico vai orientar o resultado.

"Existe o mito do robô, como se o robô fosse operar sozinho, com inteligência artificial. É uma máquina que é completamente dependente do cirurgião. O robô não transforma um médico em super médico. Você controla quatro braços do robô, com suas duas mãos. Você tem tipo um joystick e dois pés. Os dois pés controlam a energia, movimenta os braços, então é como se o cirurgião tivesse quatro braços. Mas ele tem uma magnificação da visão em até 10 vezes.  A visão é em 3D. É como se o olho estivesse dentro do paciente, mas vendo 10 vezes a mais", explica.

Segundo Lucas, a técnica começou a ser usada nos anos de 2000 e 2002 nos Estados Unidos e chegou entre 2007 e 2008 no Brasil, chegou em 2007 e 2008. Na Bahia, chegou apenas neste ano e é feita em dois hospitais.

"Teve um delay de alguns anos em relação aos outros estados, mas quase todas as grandes capitais do Brasil hoje têm os robôs. Até perdi a conta, mas são mais ou menos 60 ou 70 operando, sendo utilizados para fazer cirurgias pelo Brasil inteiro", informa.

Ele afirma ainda que a cirurgia robótica é considerada menos invasiva do que cirurgia aberta, mas é igualmente invasiva à cirurgia laporoscópica para a próstata, porque o acesso também é laporoscópico.

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