Saúde

Coronavírus: Brasil corre grande risco de superar EUA em número de casos, diz Badaró

Infectologista comentou a possibilidade do governo punir empresas que não obriguem os funcionários a utilizar equipamentos como máscaras e luvas

[Coronavírus: Brasil corre grande risco de superar EUA em número de casos, diz Badaró]
Foto : Matheus Simoni/Metropress

Por Matheus Simoni no dia 10 de Abril de 2020 ⋅ 08:22

O médico infectologista pesquisador chefe do Instituto de Tecnologia em Saúde (ITS) do Senai/ Cimatec, Roberto Badaró, alertou a necessidade do Brasil endurecer medidas contra a propagação do coronavírus no país. Em entrevista à Rádio Metrópole hoje (10), o profissional de saúde recomendou que a população siga as recomendações dos órgãos de saúde e obedeça os decretos estaduais e municipais contra a circulação de pessoas.

"Não há uma ilha no mundo que não tenham casos. Nessa competição de quem chega primeiro é está perdendo. Os EUA, com quase meio milhão de casos, e o Brasil estava lá pelos 18º, mas já estamos em 13º. Se não cumprirmos as determinações, nós sabemos que rapidamente podemos passar os EUA com muita facilidade. Temos que entender como vamos proteger as pessoas que vivem em condições subumanas. Se não diminuirmos a progressão, será muito difícil", declarou o médico.

Os EUA já registram 496 mil casos de coronavírus e mais de 16 mil mortos. Já o Brasil registra 18 mil casos, sendo 957 fatais.

O infectologista afirmou que o governo da Bahia e a prefeitura de Salvador têm dado exemplos ao restante do país. "Existem muitos comitês e muitas opiniões, mas vejo que progressivamente o Brasil começa a disseminar a infecção, embora a Bahia, curiosamente, começou muito mais cedo o confinamento e as medidas, feitas pelo governador e pelo prefeito. Estamos correndo juntos, mas ainda precisa mais. O risco é grande de entrar em uma grande infecção em grande quantidade", acrescentou.

Badaró comentou a possibilidade do governo punir empresas que não obriguem os funcionários a utilizar equipamentos de proteção individual, como máscaras e luvas. "Acho que é uma forma educativa para as pessoas que ignoram a saúde pública. Conversei ontem com o governador, que está muito responsável quanto a isso, e ele estuda medidas legais para que mercados, estabelecimentos comerciais e lojas obriguem o uso da máscara. Mas muitos não estão fazendo isso. Eu sou muito da política de educação. Ela transforma a humanidade. Eu acredito que temos que educar e a educação vai surtir no povo, embora lenta", disse o infectologista.

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