Saúde

'É uma operação de guerra', diz diretora do Couto Maia sobre atuação contra Covid-19

Médica infectologista Ceuci Nunes critica falta de coordenação nacional para atuar no combate ao coronavírus

['É uma operação de guerra', diz diretora do Couto Maia sobre atuação contra Covid-19]
Foto : Matheus Simoni / Metropress

Por Matheus Simoni no dia 04 de Junho de 2020 ⋅ 08:01

A médica infectologista e diretora do Instituto Couto Maia, Ceuci Nunes, comentou a atuação do centro de saúde no atendimento ao coronavírus na capital baiana. Em entrevista a Mário Kertész hoje (4), na Rádio Metrópole, ela comentou que a unidade encontra dificuldades, mesmo com a ampliação de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). De acordo com Ceuci, o número de vagas passou de 20 leitos de UTI para 80. Ao todo, 1.800 funcionários trabalham na unidade. "Tem medicações específicas que lidávamos um pouquinho. Já está faltando no mercado. É uma coisa muito complexa. Imagine para o estado da Bahia como um todo. Eu falo por uma unidade, mas o estado montou mais de mil leitos de UTI para a Covid. É uma operação de guerra", comentou.

Ceuci Nunes ainda falou da seleção de profissionais de saúde para atuar no combate à doença. Segundo Ceuci, a principal dificuldade é lidar com a falta de experiência para lidar com uma pandemia."A maioria das pessoas que chegam não têm treinamento. Estamos pegando residentes que já fizeram estágio na UTI, pessoas que fizeram na UTI no passado, abandonaram e estão voltando. O mais complexo é com os técnicos de enfermagem. A demanda é enorme. É um técnico para dois pacientes", disse a infectologista. "A gente tem feito treinamentos. No sábado passado, minha equipe de enfermagem passou o dia no hospital treinando. São treinamentos pontuais, a pessoa acaba indo aprender no dia a dia. São muito inexperientes, é muito complicado. Temos priorizado que médicos coordenadores sejam mais experientes", acrescentou.

O Instituto Couto Maia apresenta altos índices de ocupação. Segundo Ceuci, a única área que não possui ocupação acima de 85% é de pediatria. Ela reclama da falta de coordenação nacional para lidar com o coronavírus. "Acho que Salvador talvez esteja numa curva menos ingrime. Mas ainda não chegamos nesse platô. Temos quase três meses de quarentena. Se tivesse uma coordenação nacional para arrumar essa quarentena por estado, situação de cada estado, talvez a gente já estivesse saindo dessa fase. Quem queria realmente priorizar a economia acabou fazendo o contrário. A gente demora a sair. Se não tem uma coordenação nacional, num mundo globalizado onde cada estado do país tem interseção, fica muito complicado", criticou a diretora.

Notícias relacionadas