Saúde

Badaró alerta para automedicação com corticoide após comprovação de eficácia contra Covid-19

Infectologista reforça necessidade de conscientizar a população para evitar uma dosagem prejudicial no organismo

[Badaró alerta para automedicação com corticoide após comprovação de eficácia contra Covid-19]
Foto : Metropress

Por Matheus Simoni no dia 17 de Junho de 2020 ⋅ 08:20

O médico infectologista Roberto Badaró comentou a descoberta da eficácia do corticoide dexametasona, um medicamento que age como um anti-inflamatório e imunossupressor, que se mostrou útil no tratamento da Covid-19. Em entrevista a Mário Kertész hoje (17), na Rádio Metrópole, o cientista reforçou a necessidade de se manter a tarja vermelha no medicamento, evitando que ele seja encontrado com facilidade nas farmácias.

"Tem que pegar esse medicamento e colocar tarja vermelha, só se vendendo com receita médica. Para mim não é novidade. Há dois meses atrás eu utilizo corticoide em meus pacientes, eles são testemunha. O pessoal de Boston, o protocolo de Havard, é esse. Doentes graves com mais de 50% de área de comprometimento, a dose de esteroide, não imunossupressiva e sim inflamatória, modifica o curso da doença", declarou Badaró.

"Tenho feito isso há dois meses. Talvez explique a baixíssima mortalidade que eu tenho com meus pacientes em consultório. Tenho mais de 300 pacientes e só tive dois óbitos, que eram pessoas muito doentes. Todos que têm o risco eles tomam corticoide. Nunca falei isso porque isso não pode ser falado, tem que ser atitude médica. Minha recomendação veemente é que o corticoide vá para tarja vermelha", acrescentou o médico, que reforçou que, se a farmácia vender ao público, "ela é responsável". "Essa é minha maneira prática de agir porque o povo vai querer comprar", conta.

Badaró comentou que a população precisa compreender os riscos da automedicação. "A doença é muito complexa e difícil. Existem anticorpos monoclonais que bloqueiam a frase inflamatória. Estou tendo um sucesso bom com essas drogas, mas não citarei essas doses para que as pessoas não procurem ter em casa. Isso tem que ser feito com orientação médica. Não pode ser feito assim com liberdade das pessoas", afirmou. 

O corticoide, segundo o infectologista, pode afetar a fase inicial da doença e prorrogar os efeitos do coronavírus no corpo do paciente se for aplicada uma dose errada. "Automedicação é um perigo. Essas medicações não são destituídas de efeitos adversos. Sempre me lembro daquela frase de que médicos e loucos, todos temos um pouco. Sempre há alguém na família que é um médico. Há um intuito de ajudar, mas prejudica. As pessoas não devem usar o corticoide. É uma das drogas mais fantásticas que eu conheço. Tem efeito anti-inflamatório e efeito imunossupressor. Se eu pegar uma dose de corticoide pequena, dessa mesma dexametasona, ele é anti-inflamatório por um período de tempo. Se eu pego uma dose alta, ele é imunossupressor. Tem que saber a dose, as pessoas às vezes não sabem", aponta o especialista.

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