Saúde

Diretora do Couto Maia alerta para efeitos adversos de falsos medicamentos contra Covid-19

Ceuci Nunes aponta necessidade de manter atenção a pacientes que recebem alta após se curarem do coronavírus

[Diretora do Couto Maia alerta para efeitos adversos de falsos medicamentos contra Covid-19]
Foto : Metropress

Por Matheus Simoni no dia 14 de Julho de 2020 ⋅ 10:00

A médica infectologista e diretora do Hospital Couto Maia, Ceuci Nunes, reforçou a necessidade de repudiar a entrega de kits com supostos medicamentos utilizados contra o coronavírus. Na avaliação da profissional de saúde, gestores públicos que ofertam a falsa esperança de cura da Covid-19 precisam ser responsabilizados.

"Não existe nenhuma medicação com efeito comprovado para coronavírus e muito menos para profilaxia do coronavírus. É temerário ver, não só uma prefeitura, mas cinco prefeituras na Bahia usando Kit Covid. Vamos raciocinar, se temos uma doença que, nos quadros leves, 85% ou 8 a cada 10 pessoas vai evoluir em cura espontânea, como pode dizer que foi essa medicação ou esse kit que levou a pessoa a se curar? Isso só pode ser respondido por um estudo clínico", disse Ceuci, em entrevista Mário Kertész hoje (14) na Rádio Metrópole.

"O que estamos vendo é um uso totalmente indiscriminado. Qualquer medicação tem evento adverso, a ivermectina por exemplo já tem descrito alteração dermatológica ou neurológica. Como dr. Paraná alertou na Metrópole, pode dar insuficiência hepática. Esses prefeitos estão assumindo uma responsabilidade muito grande de fazer esse tipo de medicação de forma indiscriminada", acrescentou.

Ainda segundo a diretora, pacientes precisam ter atenção redobrada após receberem alta. A necessidade de cuidados especiais é uma das principais marcas de quem se cura do coronavírus. "A gente vê que as pessoas saem do hospital muito debilitadas. Primeiro que perdem muito peso e massa muscular. Vão precisar de uma reabilitação e fisioterapia, tanto respiratória como motora. A gente não sabe o que vai acontecer com aquele pulmão. A gente precisa de tempo. Tivemos um caso de um paciente que saiu e, com 48h, a gente soube que ele tinha tido uma morte súbita em casa. Acreditamos que foi um tromboembolismo severo que levou à morte. Não tinha indicação para fazer profilaxia, não foi feito. Um rapaz de 52 anos. É muito ainda a se conhecer dessa doença", declarou. 

Ceuci comentou ainda a marca de 500 pacientes atendidos no Couto Maia que estão recuperados do coronavírus. Segundo ela, no protocolo de tratamento, não foi utilizado nenhum dos medicamentos defendidos por políticos e sem comprovação científica, a exemplo da hidroxicloroquina e da ivermectina. "Nosso protocolo tem sido atualizado. Não temos medicação específica, mas a gente participa do estudo Solidariedade da OMS. Esse estudo começou com cinco braços. Um dos braços a gente não começou a fazer porque é um medicamento importado e que ainda está chegando, que é o Redemsivir. É a única medicação que o CDC dos EUA coloca no protocolo que tem alguma base científica para uso", afirmou Ceuci. 

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