Saúde

Badaró critica ferramentas para testar temperatura da população: 'Nenhuma validade'

Segundo infectologista, medição eletrônica apresenta erros: 'Média de temperatura medida é 32º ou 33º C, que é incompatível com a vida'

[Badaró critica ferramentas para testar temperatura da população: 'Nenhuma validade']
Foto : Metropres

Por Matheus Simoni no dia 07 de Agosto de 2020 ⋅ 08:40

O médico infectologista Roberto Badaró criticou os atuais métodos de testagem de temperatura da população em meio à pandemia de coronavírus. Em entrevista a Mário Kertész hoje (7), na Rádio Metrópole, o especialista afirmou que as já tradicionais pistolas eletrônicas com medição por raio infravermelho não são eficazes. O próprio Badaró afirma que conduziu uma pequena investigação para averiguar as reais condições dos equipamentos, mas não encontrou índices favoráveis.

"Qual é o valor disso? Isso tem sido revisto. Fiz sistematicamente durante esses últimos dois meses um inquérito simples. Parava para o indivíduo que estava medindo e perguntava quantas pessoas ele achou com febre. Ele dizia nenhuma. A média de temperatura é 32º ou 33º C, que é incompatível com a vida. Ele está triando morto-vivo. Essas medidas de temperatura não estão sendo úteis. Na porta de hospitais, em vários que eu fui, vários estão há três meses e não acham nenhum", declarou Badaró. 

Ainda segundo o infectologista, se a temperatura do paciente for realmente 33ºC, como indicam as medições, é sinal de uma grave hipotermia. "Essas formas de medição de temperatura eletrônica têm uma margem de erro muito grande. Não estão prestando serviço como método de triagem. Custa caro, bota uma pessoa na porta e elas não têm efetividade alguma na triagem de pacientes. É preciso prestar atenção e tomar cuidado com isso e começar a limpar o lixo que a gente da ciência colocou e que não serve", disse Badaró.

"A hipotermia é tão série quanto a febre. Se encontra alguém com 33 ºC, tem que mandar correndo para o hospital porque isso é uma hipotermia severa. É preciso ter muito cuidado com a utilização desses métodos de triagem que não têm absolutamente nenhuma validade como critério de identificação de pacientes com coronavírus", acrescentou.

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