Saúde

Pneumologista detalha incertezas sobre coronavírus: 'Tem muita coisa que a gente não conhece'

Para Octávio Messeder, comunidade médica ainda lida com as "interrogações" provocadas pela doença

[Pneumologista detalha incertezas sobre coronavírus: 'Tem muita coisa que a gente não conhece']
Foto : Metropress

Por Matheus Simoni no dia 10 de Agosto de 2020 ⋅ 13:02

O médico intensivista e pneumologista Octávio Messeder falou sobre as dúvidas e incertezas da comunidade médica a respeito da pandemia de coronavírus no mundo. Em entrevista a Mário Kertész hoje (10), durante o Jornal da Metrópole no Ar da Rádio Metrópole, o especialista comentou como a maioria dos pacientes chega aos hospitais.

"A experiência internacional diz que 80% dos pacientes passam bem, 20% vão ao hospital. Destes, 5% morrem. O que a gente vê é que os pacientes que chegam graves, com disfunção respiratória significativa e muitas vezes associada à disfunção renal, eles são realmente muito graves. Já entram com falência de mais de um órgão ou dois. Não é infrequente chegar numa situação já bastante grave", declarou Messeder. 

"Muitos pacientes que vão para a UTI sem muita insuficiência se dão melhor. Vão para o respirador, são liberados gradativamente e depois vão para o quarto. Mas estes pacientes que mostram esse quadro grave de disfunção de vários órgãos", acrescentou.

O pneumologista também comparou a situação da Bahia e de Salvador diante do restante do país. Ele criticou a atuação do governo federal, que, na avaliação do especialista, não compreendeu a gravidade da pandemia. "Tivemos sorte de ter um governo inteligente que foi capaz de entender a gravidade da situação e, de uma forma muito cavalheira e humana, sem relacionar nada a política. Trabalharam em conjunto para a gente ter o melhor desfecho possível. A Bahia teve um dos melhores desfechos do Brasil. Em Salvador, o prefeito está sendo muito objetivo. Ele entendeu e está usando o poder de controlar essa contaminação, que é o ponto básico. O governador também está tentando fazer. Infelizmente, assim como nos Estados Unidos, nosso presidente não teve a mesma percepção de como essa doença é extremamente grave e não pode ser subestimada. Essa visão não pode ser a que você deseja, é o que o vírus está fazendo. A gente tem que entender que o poder é do vírus e a gente tem que se adequar à presença dele", pontuou.

Messeder afirmou que, mesmo diante das incertezas, estudos médicos já comprovaram quais são algumas das medidas que apresentam resultado diante da doença. "Tem muita coisa que a gente não conhece. Eu, como médico, e outros colegas meus temos nos surpreendido com pessoas que não escapariam da Covid. Muitas vezes elas têm uma Covid leve. Muita coisa a gente não sabe, pode ser a resposta individual de cada um. Pode ser a quantidade de carga viral", afirmou o especialista.

"Existe muita interrogação ainda que a gente só vai saber daqui a muito tempo. O que temos que fazer no momento é manter a seriedade e a nossa prevenção, que tem o tripé de lavagem da mão, máscara e distanciamento, e esperar que haja uma vacina eficiente, algo que ainda não está claro. Temos muitas promessas, mas a imunidade dela ninguém sabe quanto tempo vai durar. Existem outras vacinas em que a imunidade é para sempre e outras que não. Não sabemos sobre isso", acrescentou.

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